A Consciência e o Absoluto

A Consciência e o Absoluto...

A Consciência e o Absoluto   (diálogos extraídos do livro “Consciousness and The Absolute – The Final Talks of Sri Nisargadatta Maharaj”, edited by Jean Dunn)     Visitante: Por que pensamos em nós mesmos como indivíduos separados? Maharaj: Seus pensamentos sobre individualidade não são, na realidade, seus próprios pensamentos; eles são todos pensamentos coletivos. Você acha que é você quem tem os pensamentos; na verdade os pensamentos surgem na consciência. À medida que cresce nosso conhecimento espiritual, nossa identificação com um corpo-mente diminui e nossa consciência se expande para a consciência universal. A força da vida continua a atuar, mas seus pensamentos e ações não ficam mais limitados a um indivíduo. Eles se tornam a manifestação total. É como a ação do vento – o vento não sopra para qualquer indivíduo em particular, mas para a manifestação como um todo. V.: Como um indivíduo, podemos retornar para a fonte? M.: Como um indivíduo não; o conhecimento “eu sou” deve voltar para sua própria fonte. Agora, a consciência está identificada com uma forma. Mais tarde ela compreende que não é essa forma e segue adiante. Em uns poucos casos ela pode alcançar o espaço e, com frequência, para por aí. Em muitos poucos casos, ela alcança sua fonte verdadeira, além de todo o condicionamento. É difícil abandonar essa tendência de identificar o corpo como o eu. Eu não estou falando para um indivíduo, estou falando para a consciência. É a consciência que deve buscar sua fonte. Do estado de não-ser surge o sentimento de existência. Ele surge tão silenciosamente quanto o crepúsculo, com apenas uma sensação de “eu sou” e, de repente, o espaço está lá. No espaço, o movimento começa com o ar, o fogo, a água e...
Devoção

Devoção

Devoção   (trechos do Capítulo XI – Devoção, do livro Maha-Yoga – A Yoga de Sri Ramana Maharshi.  Os detalhes da edição em português  publicada em 2013 podem ser encontrados aqui)     O Gita – no Capítulo Nove – nos diz, sobre a devoção, que até mesmo os homens de vida dedicada ao mal se beneficiam com ela; eles logo se tornam bons e no final alcançam o Estado de Paz infindável – o Estado sem ego. Mas, como regra geral, apenas os homens de mente pura e boa conduta se sentem atraídos à devoção a Deus, porque certo grau de ausência de ego está implícito na devoção, e o caráter depende do grau de ausência de ego do indivíduo. Por isso, devemos devotar alguma atenção ao melhoramento de nosso caráter. Isto, naturalmente, é necessário a todos – aos buscadores do Ser, bem como aos devotos. ……………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………. Todas as religiões fazem bem ao enfatizar a bondade. Um homem de mau caráter pode se tornar um bom matemático ou cientista, mas apenas um homem bom e com a mente pura pode acalentar devoção às coisas que transcendem o mundo. O fazer o mal é fruto do ego; e uma vez que a ausência de ego é o nosso objetivo – pensem os crentes o que pensarem – a tendência de agir mal deve ser superada, não importa como. Os Budistas têm a sua “nobre senda utopia” e os cristãos o seu “sermão na montanha”; a retidão com humildade é nove décimos da religião do Estado sem ego. A devoção já existe em todos os homens – ela só precisa ser refinada e dirigida a objetos adequados. Quando dirigida a objetos ignóbeis chama-se apego; mas quando desviada deles e fixada em...
A Busca

A Busca

A Busca (trechos do capítulo IX do livro “Maha Yoga – A Yoga de Sri Ramana Maharshi)     Os trechos a seguir fazem parte do Capítulo IX – A BUSCA, do livro Maha Yoga – A Yoga de Sri Ramana Maharshi, cuja nova tradução em português foi publicada em julho de 2013. Detalhes sobre a nova edição podem ser encontrados aqui. ************************************************************************************   Uma introdução deste capítulo, que contém também o resumo dos capítulos anteriores, é dada pelo Sábio: Onde o ego não surge, ali somos Aquilo. Mas, como pode essa perfeita ausência do ego ser alcançada, se a mente não imergir em sua Fonte? E se o ego não se extinguir, como poderemos alcançar o Estado Natural, no qual somos Aquilo? A Fonte da qual a mente surge, acima indicada, é o Coração, que como vimos anteriormente, deve ser experimentalmente considerado como a Própria Morada do Ser. Certamente, a Verdade absoluta é que o Ser é em si mesmo o Coração verdadeiro. Aqui o Sábio se refere ao “Estado sem ego” como sendo o nosso Estado Natural, por que nele somos o que realmente somos, isto é, a Pura Consciência. De certa forma os métodos para a Libertação preconizados pelas diversas religiões são todos corretos. Mas o método direto é o ensinado pelo Sábio. Os outros métodos apenas preparam a mente para o método adequado. Nada mais podem fazer. O Sábio explicou-o assim: “O ego não pode ser subjugado por alguém que o considera real. É como a nossa própria sombra. Imaginemos um homem que desconhece a verdade sobre sua sombra. Ele vê que ela o segue persistentemente e deseja livrar-se dela. Tenta fugir dela, mas a sombra continua a segui-lo. Cava um poço profundo e tenta...
A Graça e o Guru

A Graça e o Guru

  A Graça e o Guru (trechos do livro “Pérolas de Sabedoria” e “Maharshi’s Gospel”)     O Guru não precisa estar sempre em uma forma humana. Primeiramente, a pessoa pensa ser inferior e que existe um Deus superior, onisciente e onipotente, que controla seu próprio destino e o do mundo, e adora-O ou presta-Lhe devoção (bhakti). Quando ela chega a certo estágio e está pronta para a iluminação, o mesmo Deus vem como Guru e a guia daí para frente. Tal Guru vem apenas para lhe dizer que “Aquele Deus está dentro de você. Mergulhe em si e perceba-O”. Deus, o Guru e o Eu Real são a mesma coisa. A Realização resulta mais da graça do Mestre ou Guru do que de ensinamentos, palestras, meditações etc. Essas são apenas ajudas secundárias, enquanto que aquela é a causa primeira e essencial. A graça do Guru está sempre disponível. Você a imagina como algo em algum lugar lá em cima no céu, distante, e que tem que descer. Na verdade, ela já está dentro de você, no seu Coração; e no momento em que você se acalma ou funde a sua mente na Fonte, por qualquer método, a graça surge, jorrando como uma nascente de dentro de você. O contato com os Sábios (Jnanis) é bom. Eles irão trabalhar através do silêncio. Um Guru não é a forma física. Por isso, seu contato permanece mesmo após a forma física do Guru desaparecer. Quando sua devoção a Deus amadurecer, Ele vem na forma de um Guru e de fora empurra sua mente para dentro, enquanto ao mesmo tempo puxa sua mente do lado de dentro, como Eu Real. Em geral, tal Guru é necessário, a não ser no caso de...
O Ser e a Individualidade

O Ser e a Individualidade...

O Ser e a Individualidade (trecho do livro “Maharshi’s Gospel”)     D: A morte dissolve a individualidade de uma pessoa, de forma que não haja mais renascimentos, da mesma forma como os rios que deságuam no oceano perdem suas individualidades? M: Mas quando as águas evaporam e retornam como chuva sobre as montanhas, elas mais uma vez fluem na forma de rios e se lançam no oceano; assim também acontece com as individualidades, que durante o sono perdem sua separatividade para retornar à individualidade de acordo com os seus samskaras (tendências passadas). Na morte é assim também: a individualidade da pessoa com samskaras não é perdida. D: Como pode ser isto? M: Veja como uma árvore cujos galhos foram cortados cresce novamente. Enquanto suas raízes permanecerem intactas, a árvore continuará a crescer. Do mesmo modo, os samskaras que tenham meramente afundado no Coração, no momento da morte, mas não tenham perecido, ocasionam renascimento no momento propício; é assim que renascem os jivas (indivíduos). D: Como podem os inumeráveis jivas e o extenso universo cuja existência é correlata à dos jivas, surgirem dos sutis samskaras imersos no Coração? M: Assim como a grande árvore banyan (figueira brava da Índia) nasce de uma frágil semente, os jivas e todo o universo de nomes e formas nascem dos sutis samskaras. D: Como a individualidade emana do Ser Absoluto, e como o seu retorno é possível? M: Assim como a centelha procede do fogo, a individualidade emana do Ser Absoluto. A centelha é chamada de ego. No caso do ajnani, o ego se identifica com algum objeto simultaneamente ao seu surgimento. O ego não pode permanecer sem tal associação com objetos. Essa associação é devida à ajnana (ignorância), cuja destruição é o...
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