Permaneça com seu Ser – Parte IV


Permaneça com seu Ser


Parte IV



Este é o quarto e último post da série Permaneça com seu Ser. Veja o primeirosegundo e terceiro.


************************************************************************


Pergunta: Consigo rejeitar apenas verbalmente. No máximo lembro-me de repetir a fórmula: “Isto não sou eu, isto não é meu. Estou além de tudo isto.”

Nisargadatta: É bom o bastante. Primeiro verbalmente, então mental e emocionalmente, e depois na ação. Dê atenção à realidade dentro de você e ela virá à tona. É como bater manteiga. Faça-o corretamente e constantemente e o resultado com certeza virá.

 

É mais fácil mudar que sofrer. Saia de sua infantilidade, isto é tudo.

 

Infantilidade é agarrar-se aos brinquedos, aos seus desejos e temores, opiniões e idéias. Desista de tudo isto e esteja pronto para que o real afirme a si mesmo. Esta autoafirmação é melhor expressa pelas palavras: “Eu Sou”.

 

Até agora você se considerou como sendo o mutável e ignorou o imutável. Vire sua mente ao avesso. Desconsidere o mutável e se verá como a sempre presente, imutável realidade, inexpressível mas sólida como uma rocha.

 

Você é consciente. Segure-se nisso.

 

O que eu digo é verdade, mas para você é apenas uma teoria. Como você saberá que isto é verdade? Ouça, lembre-se, pondere, visualize, experiencie. Também aplique na sua vida diária. Tenha paciência comigo e, acima de tudo, com você mesmo, pois você é seu único obstáculo.

 

Parece que você quer uma compreensão instantânea, e esquece que o instantâneo é sempre precedido por uma longa preparação. A fruta cai de repente, mas o amadurecimento leva tempo.

 

Afinal, o que estou lhe oferecendo é a abordagem operacional, tão comum na ciência ocidental. Quando um cientista descreve um experimento e seus resultados, normalmente você aceita suas afirmações com confiança e repete seus experimentos conforme ele os descreve.

 

Quem está disposto a aceitar o que estou querendo oferecer?

 

O que quer que a pessoa faça, se ela fizer com a intenção de encontrar seu Eu Real, certamente isto a levará para si mesma […] O que quer que você faça pelo bem da verdade, o levará à verdade. Apenas seja esforçado e honesto. A forma que isto toma raramente importa.

 

O fato de haver repetição, de contínuo esforço e de persistência e perseverança, apesar dos aborrecimentos, desespero e completa falta de convicção, são realmente cruciais.

 

Encontre a si mesmo. Esteja com seu próprio ser, ouça-o, obedeça-o, cultive-o, mantenha-o em mente sempre. Você não precisa de outro guia.

Enquanto sua necessidade pela verdade afetar sua vida diária, tudo está bem com você. Viva sua vida sem magoar ninguém. A inofensividade  é uma forma muito poderosa de Yoga e o levará rapidamente à sua meta.  É o que eu chamo de nisarga yoga, a Yoga Natural. É a arte de viver em paz e harmonia , em amizade e amor. Seu fruto é a felicidade, sem começo nem fim.

 

Não existe nada errado em repetir a mesma verdade muitas vezes, até que ela se torne realidade. As pessoas precisam ouvir as palavras até que os fatos lhes falem mais alto que palavras.



Related Posts with Thumbnails
  • Vinícius

    Olá Niraj

    Obrigado pela 4ª parte.
    Uma curiosidade, por que você não coloca outros mestres advaita na pagina principal ?

  • Oi Vinícius,

    Esses quatro mestres são aqueles que influenciaram fortemente minha busca, e que sinto interiormente, sem dúvida, que são iluminados. Por isso divulgo os ensinamentos deles. Muitos outros são apenas professores Advaita, não totalmente despertos. Prefiro me ater ao ensinamento mais puro e tradicional.

  • Vinícius

    Então os outros mestres que aparecem em páginas como essa: http://editoraadvaita.blogspot.com.br/
    Você diria que podem ser apenas professores não realizados ?

  • Você se refere a “Jean Klein, Ramesh Balsekar, Tony Parsons, Karl Renz “?
    Nunca ouvi falar de Jean Klein.
    Toni Parsons ouvi falar, mas não coisas muito boas…
    Conheci Karl Renz; ele tem uma boa compreensão, mas não é iluminado (falei com ele diretamente sobre isso).
    Sobre Ramesh a história é longa e controvertida. Muitos ensinamentos deles são inspiradores, mas alguns também sutilmente distorcidos. E diversos aspectos do comportamento dele não me parecem nada iluminados. Se você entende inglês me manda um email que eu te repasso o artigo.
    Mas tudo isso é a minha visão e o meu sentir. Você pode ter conclusões diferentes.

  • Vinícius

    Bom, você deve ter razão, um mestre verdadeiro não é uma coisa que se encontra a cada esquina, né ?
    Mas não há outro discípulo de Ramana que te chame atenção ? Nem outros mestres da mesma linhagem do Maharaj ?

  • Você diz da linhagem de Nisargadatta Maharaj?
    Ranjit Maharaj me agrada muito.

  • Vinícius

    Sim, exato, ia perguntar sobre ele agora mesmo, e vi que estava respondido.
    O mestre de Nisargadatta teve muitos discípulos que se realizaram ?

  • Vinícius

    Esse “Ramesh Balsekar” não foi discípulo do Nisargadatta Maharaj ?

  • Sim, Ramesh Balsekar foi o tratudor de Nisargadatta Maharaj por um bom tempo.
    O único registro que vi de Maharaj “confirmar” a iluminação de um discípulo foi no caso do Maurice Frydman (já falecido). Foi ele quem compilou o “I Am That” do Maharaj. E ele também esteve com Jiddhu Krishnamurti, UG Krishnamurti, Gandhi, Sri Ramana Maharshi e o Dalai Lama.

  • Vinícius

    Eu li o “Eu sou Aquilo” do Maharaj, gostei muito.
    Você poderia me recomendar outros livros dessa tradição, não necessariamente do mesmo autor ?

  • Sim, tem umas listas neste site, em português, nas seções de Advaita, Ramana, e Mooji. Dá uma olhada.

  • Vinícius

    Voce nao recomenda o livro Ramana, meu mestre do Maha Krishna Swami entao? Eu vi o texto que voce colocou na secao de discipulos eminentes…

  • Oi Vinícius,

    Para fins de absorver os ensinamentos do Ramana ou ensinamentos Advaita, não recomendaria este livro. Tem diversos outros que recomendo, neste site.

  • Vinícius

    O Maha Krishna Swami reproduz textos no livro com dialogos do Sri Ramana em que ele fala sobre meditacao e devocao iniciaticas. Voce acha que o autor do livro inventou dialogos? Acha aque eles nem existiram? E nao ha registro mesmo que esse senhor tenha sido discipulo?

  • Vinícius,

    Não cabe a mim dizer que ele inventou ou não. Ele existiu e esteve no Sri Ramanasram, isso sabemos.
    Sugiro que você leia este link: http://advaita.com.br/ramana-maharshi/discipulos-eminentes/ Tudo o que posso lhe dizer sobre este Swami eu escrevi ali.

  • Vinícius

    Eu ja li, pensei que voce tivesse algo mais a acrescentar, por isso fiz a pergunta, evidente.

  • Vinícius

    Mas nao ha nenhum registro, nada que posso indicar que Ramana tenha falado sobre ” meditacao e devocao iniciaticas” ? Eu achei tao estranho.

  • Entendi.
    Bem, na verdade Ramana quase nunca falava de “iniciação” em si; e, quando o fazia, deixava claro que a iniciação simplesmente acontecia automaticamente, por meio do silêncio na presença do Guru.

  • Vinícius

    Obrigado, Niraj.

  • Vinícius

    Você aplica diligentemente o que esses mestres ensinam, cara ? Consegue se manter como um observador o que quer que esteja fazendo ?

  • Oi Vinícius,

    Essa é uma pergunta interessante. Durante anos na minha vida eu mantive constante lembrança e atenção aos ensinamentos Advaita, lendo-os, contemplando-os e “praticando-os” diariamente.
    Hoje em dia eu diria que é menos o “conseguir se manter como observador” e mais a compreensão de que eu sou apenas o observador, e nada que é observado. É mais natural, sempre presente. Mas, mesmo assim, quando eu paro para me focar nisso mais ou contemplar esse fato, há um aprofundar neste sentimento.
    De qualquer forma, algo parece ter desaparecido de vez, e não há mais qualquer conflito ou sofrimento em mim. Mesmo assim, há um oscilar entre estar “mais à fundo” ou “mais na superfice”, embora isso realmente não faz muita diferença para mim no momento.

  • Vinícius

    Alguns mestres falam que, como resultado da prática espiritual, pode acontecer de a pessoa ter uma experiência momentânea da verdade. Eu imagino que seja algo como o que Papaji relata que aconteceu com ele na infância, de ter ficado alguns dias absorto no Eu Real, mas depois disso, a consciência do ego ter retornado.
    Eu sei que todos esses sábios enfatizam que são apenas experiências passageiras, e que não devemos nos apegar a isso. Mas já aconteceu algo semelhante com você ?

  • Sim, mais de uma vez.
    Mas a Verdade não é como um céu sem nuvens, o que é um estado passageiro. A Verdade é o céu – a experiência da Verdade é que o estado de “céu sem nuvens”. Quando este entendimento está enraizado, sabemos que o céu está sempre lá, mesmo quando encoberto por nuvens. Não damos tanta importância para as nuvens. E, quer chova na terra da dualidade ou não, não há confusão nem sofrimento.

  • Vinícius

    Entendi.
    Quanto à prática espiritual, segundo o advaita, além de permanecer cada vez mais centrado na consciência “eu sou” nas atividades que realizamos no dia a dia, quanto tempo seria adequado praticar-se a meditação sentada mesmo ?

  • Vinícius

    Ebaaaaaaaa. Estamos de volta, Niraj! O que houve rapaz?

  • Problemas com a hospedagem. Eles se engaram e acharam que eu não tinha pago…

  • Vinícius

    Niraj, além de permanecer alerta, consciente em minhas atividades no dia-a-dia, quanto tempo devo praticar a meditação sentada por dia ? Com o objetivo claro de atingir aquele estado em que não há mais a percepção dos sentidos, da mente, e da individualidade, restando apenas a consciência não-dual.

  • Oi Vinícius,

    O ideal seria 40 minutos de manhã e 40 min de noite. Mas o importante é começar e ser disciplinado, mesmo que seja com apenas 10 min por dia.

  • Vinícius

    Cara, você que traduziu o livro do Mooji, Antes do Eu Sou ?
    Eu tinha lido há algum tempinho, mas só reparei nesse detalhe ontem, quando fui reler uns trechos.
    Bom trabalho.

  • Sim, traduzi. Que bom que gostou do livro!

  • Olá amigo!
    Vc considera o J. Krishnamurti como um “iluminado” ou representante do Advaita? Vejo muita semelhança dele ao Advaita, mas ele me parece um “mestre” que fica apontando a lua e nunca fala sobre a lua… isso cria uma angústia em seus leitores! O que acha?
    Obrigado!

    • Oi Marcelo,

      Eu pessoalmente não me sinto tocado por ele ou seus ensinamentos.
      Papaji dizia que ele era iluminado, mas deixou a entender que aparentemente ele não tinha o “poder” de acordar os outros com suas palavras.

  • Olá Niraj,

    Fico me perguntando se ele queria acordar com algum poder os outros ou se só se sentiu como missão de divulgar insistentemente seus ensinamentos a grandes públicos. Quando jovem alguns ao redor dele, mesmo depois de sair da Ordem da Estrela, se sentiam “acordando”, mesmo no silêncio dele, foi quando ele interrompeu esse processo para os outros e passou apenas a falar e falar durante toda a vida, mas provocando geralmente mais angústia do que libertação. Houve alguma reflexão que o levou a mudar a tática, penso eu! Alguma função no mundo existe com as palavras dele…

    Bem, um grande abraço, e sempre leio tudo do seu site!

    Marcelo

  • Oi Marcelo,

    É difícil de saber. Eu pessoalmente não se sinto esclarecido com os ensinamentos dele.
    Fico feliz em saber que o site te inspira.

    abraço,
    Niraj

  • Obrigado por seu trabalho, meu amigo!

    Grande felicidade,
    Marcelo

  • Celso Silva

    Os Upanishads, creio que já leram e o têm consigo…
    Recomendaria a sua leitura, são verdadeiros diamantes, apontam o dedo para o Atman,
    são o guia para o Eu interior…
    Também tem A JÓIA SUPREMA DO DISCERNIMENTO (Vivekachudamani)- Adi Shankara ensina o caminho até o Atman,apesar de Ele estar tão perto, que ofusca nossa visão…
    A Vida é o Grande Milagre… Paz.

  • jose airton de matos vieira

    Muito bom prossiga.

  • Ana

    Gostaria de saber sua opiniao sobre UG Krishnamurti ?

    a maneira que o Mahesh Bhatt falava com ele ..a maneira que ele morreu… se irritava facilmente..parece que no final da vida no seu corpo alguma coisa deu errado..parece que morreu como uma pessoa comum ! alguns videos dele no final chegam a ser ridiculos ao lado do Mahesh Bhatt !

    • Oi Ana,

      UG Krishnamurti era uma pessoa muito controvertida. Eu pessoalmente não acho que ele seja iluminado, embora tenha alguns ensinamentos interessantes. Há registros que demonstram que Papaji também não pensava muito dele.