Esquecer tudo é o meio supremo

 


Esquecer tudo é o meio supremo



M: Sábio filho, abandone a mente – o atributo limitador que origina a individualidade, assim causando a grande enfermidade de repetidos nascimentos e mortes – e realize Brahman.

D: Mestre, como se pode extinguir a mente? Não é muito difícil? Não é a mente muito vigorosa, inquieta e sempre vacilante? Como se pode renunciar à mente?

M: Abandonar a mente é muito fácil, tão fácil quanto amassar uma flor delicada, tirar um fio de cabelo da manteiga ou piscar os olhos. Não tenha dúvida. Para um buscador resoluto, senhor de si e não enfeitiçado pelos sentidos, que pelo intenso desapaixonamento se tornou indiferente aos objetos externos, não pode haver a menor dificuldade em abandonar a mente.

D: Como pode ser tão fácil?

M: A questão da dificuldade só surge quando há uma mente a ser renunciada. Verdadeiramente falando, não existe mente. Quando lhe dizem: “Aqui tem um fantasma”, a criança ignorante é levada a acreditar na existência do fantasma inexistente, ficando sujeita ao medo, ao sofrimento e aos incômodos. Da mesma forma no imaculado Brahman, ao imaginar coisas que não existem – como isto e aquilo – uma falsa entidade conhecida como mente surge como algo aparentemente real, funcionando como isto e aquilo e mostrando-se incontrolável e poderosa ao incauto; porém, para o buscador senhor de si e dotado de discernimento, conhecedor da natureza da mente, ela é fácil de ser abandonada. Só um tolo, ignorante da natureza da mente, diz que é muito difícil.

D: Qual é a natureza da mente?

M: Pensar nisto e naquilo. Na ausência de pensamento, não existe mente. Extinguindo-se os pensamentos, a mente permanecerá apenas em nome, tal como o chifre de uma lebre; desaparecerá como uma não entidade, como o filho de uma mulher estéril, o chifre de uma lebre, ou uma flor no céu. Isto também é mencionado no Yoga Vasishta.

D: Como?

M: Vasishta diz: “Ouve, ó Rama, nada há chamado ‘mente’. Assim como o espaço existe sem forma, também a mente existe como um vazio inanimado. Permanece apenas como nome; ela não tem forma. Não está no exterior, nem no coração. Entretanto, como o espaço, a mente, embora não tenha forma, preenche tudo.

D: Como pode ser assim?

M: Onde quer que o pensamento surja como isto e aquilo, lá estará a mente.

D: Se existe mente onde quer que haja pensamento, mente e pensamento são diferentes?

M: O pensamento é o sinal da mente. Quando surge um pensamento, pressupõe-se uma mente. Na ausência de pensamentos, não pode haver mente. Portanto, a mente nada mais é do que pensamento. O pensamento é, em si, a mente.

D: O que é “pensamento”?

M: “Pensamento” é imaginação. O estado livre de pensamentos é a Suprema Bem-aventurança (Sivasvarupa). Os pensamentos são de dois tipos: a evocação de coisas experienciadas e não experienciadas.

D: Para começar, por favor diga-me o que é “pensamento”.

M: Os sábios dizem que nada mais é do que pensar em qualquer objeto externo como isto ou aquilo, é ou não é, deste ou daquele jeito, etc.

D: Como isto pode ser classificado sob o título de coisas experienciadas e não experienciadas?

M: Dos objetos dos sentidos (como o som, etc.) já experienciados – como “eu vi”, “eu ouvi”, “eu toquei”, etc. – pensar neles como tendo sido vistos, ouvidos e tocados é evocar coisas já experienciadas. Trazer à mente objetos dos sentidos não experienciados é o pensamento sobre coisas não experienciadas.

[…]

D: Como, então, é possível extinguir a mente?

M: Esquecer tudo é o meio supremo. O mundo não surge, a não ser pelo pensamento. Não pense e o mundo não surgirá. Quando nada surge na mente, a própria mente é perdida. Portanto, não pense em nada; esqueça tudo. Este é o melhor modo de matar a mente.

D: Alguém já disse isto antes?

M: Vasishta assim falou a Rama:

Vasishta: Elimine os pensamentos de todos os tipos – de coisas apreciadas, não apreciadas, ou outras. Como a madeira, ou a pedra, permaneça livre de pensamentos.

Rama: Devo eu esquecer tudo, completamente?

Vasishta: Exatamente, esqueça tudo completamente e permaneça como a madeira ou a pedra.

Rama: O resultado será a estagnação, como a das pedras ou da madeira.

Vasishta: Não é assim. Tudo isso é apenas ilusão. Esquecendo a ilusão, você estará livre dela. Embora pareça estar estagnado, você será a própria Beatitude. O seu intelecto ficará inteiramente claro e aguçado. Sem se embaraçar na vida mundana, mas parecendo ativo aos outros, permaneça como a própria Beatitude de Brahman e seja feliz. Diferentemente da cor azul do céu, não permita que a ilusão do mundo renasça no puro Espaço do Ser-Consciência. Esquecer essa ilusão é o único modo de matar a mente e permanecer como Bem-aventurança. Mesmo que Shiva, Vishnu ou o Próprio Brahman sejam seus mestres, a realização não é possível sem este meio. Sem esquecer tudo é impossível estabelecer-se enquanto Ser. Portanto, esqueça tudo, inteiramente.

D: Não é muito difícil?

M: Embora seja difícil para o ignorante, é muito fácil para os poucos que discernem. Nunca pense em nada, exceto no Brahman único e ininterrupto. Praticando isso longamente, você esquecerá facilmente o não-Ser. Não pode ser difícil ficar quieto, sem pensar em nada. Não deixe nenhum pensamento surgir na mente; pense sempre em Brahman. Assim, todos os pensamentos mundanos desaparecerão e só restará o pensamento de Brahman. Quando isso se tornar firme, esqueça até mesmo isso e, sem pensar “eu sou Brahman”, seja o próprio Brahman. Não pode ser difícil de praticar.

Agora, meu sábio filho, siga este conselho: pare de pensar em qualquer outra coisa que não seja Brahman. Com esta prática, a sua mente será extinta; você esquecerá tudo e permanecerá puramente como Brahman.


[Trechos de ensinamentos retirados do livro Advaita Bodha Deepika, Capítulo VIII, “A Extinção da Mente” (manonasa).]



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  • É a mesma mensagem do Mooji – “esqueça tudo” ou “não toque em nada” – e de todos os mestres; o meio supremo, mais simples e mais direto, para permanecer apenas enquanto SER, livre de qualquer ilusão.

  • ..M: Esquecer tudo é o meio supremo. O mundo não surge, a não ser pelo pensamento. Não pense e o mundo não surgirá. Quando nada surge na mente, a própria mente é perdida. Portanto, não pense em nada; esqueça tudo. Este é o melhor modo de matar a mente….

    Fácil, não é mesmo???

  • Quando um homem está morrendo afogado, e descobre a única saída para sobreviver, não há questão de fácil ou difícil – é o único jeito (ou o melhor), e toda a sua energia vai naquela direção. Com a prática de voltar a atenção continuamente apenas para o EU SOU ou Consciência (autoinquirição), fica cada vez mais natural o abandonar a mente. O esforço não é de “para o pensamento”, mas sim de não lhe dar atenção, interesse, de não acreditar nele. Daí, ainda que surja, não tem nenhum efeito.

  • Niraj, com certeza, nem eu e você estamos “morrendo afogados”…

    Para mim, sendo sincero, uma bela idéia, mas não a minha realidade. Pode ser a realidade do Mooji, do Maharshi, do Maharaj, ou sei lá quem mais seja.

    Pergunto: Isso já é uma realidade para você? Ou apenas uma idéia a ser repetida do que seja o único jeito (ou melhor)?

    Com respeito,

    Nelson

    • Afogados no oceanos do Samsara (vida relativa).
      Não digo que a “mente destruída” é uma realidade para mim; mas a “mente dissolvendo-se” certamente o é. Não é só uma repetição, mas algo vivido e cada vez mais aprofundado.
      O “esquecer tudo”, o “não tocar em nada” o “focar-se na Consciência”, é um processo, uma “prática” repetitiva. Por isso diz o texto que é o meio (sadhana) supremo.
      O que percebo é que, mandendo-me com essa atitude, a mente vai desaparecendo, perdendo poder. Diversos conceitos e tendências mentais que antes estavam muito arraigados agora não estão mais lá, e a experiência de que eu sou a Consciência além de tudo, além do corpo e mente, e não afetado por nada que acontece no mundo da relatividade, está cada vez mais estabelecida.
      Não se desanime, amigo. Permaneça com esta sadhana de esquecer/abandonar tudo, que os frutos vem.

  • a “experiência” de que eu sou a Consciência além de tudo, além do corpo e mente, e não afetado por nada que acontece no mundo da relatividade, está cada vez mais estabelecida…

    …???

  • M: Embora seja difícil para o ignorante, é muito fácil para os poucos que discernem. Nunca pense em nada, exceto no Brahman único e ininterrupto. Praticando isso longamente, você esquecerá facilmente o não-Ser.
    ………………….
    Bem, talvez eu seja um ignorante. Só não consigo discernir a idéia de “não pensar em nada, EXCETO no Brahman (ou melhor, na idéia que faço de Brahman). Complicou… é para pensar ou não? A idéia de Brahman, não seria uma forma de dar continuidade ao pensamento?

    ……..
    …Praticando isso (essa idéia = pensamento) longamente (tempo psicológico), você esquecerá FACILMENTE o não-Ser. Como pode ser FACILMENTE se o “praticador” deve existir por um longo período?

    • Vamos por partes.
      Sim, é verdade que o tempo é psicológico, e que não há buscador (nem libertação, nem samsara, nem nirvana, etc.). Tal é a Verdade absoluta. Contudo, apenas repetir isso ou acreditar nisso torna isso verdadeiro do nosso ponto de vista experimental, do dia a dia, de como “nós” enquanto Consciência identificadas com o corpo-mente funcionamos e experienciamos o mundo?
      Não, e é por isso que desde o Budhismo Mahayana, e desde Shankara, já está estabelecido a questão das duas verdades: a Absoluta e a relativa. Qualquer tentativa de interpretar os ensinamentos ou a própria vida com base em apenas uma delas resulta em uma visão incompleta, cada qual com suas consequências indesejáveis.
      Por outro lado, algumas das questões que você levanta são devidas ao desconhecimento do texto. Postei aqui apenas um trecho do último capítulo, ou seja, depois de o mestre já ter levado o discípulo, passo a passo, de ser um “ignorante” a ser “um dos poucos que discernem”. Não há necessidade de nos rotularmos – o que ele está dizendo é apenas que, quanto mais discernimento há, mais fácil é compreender o que é a mente, o que nós somos, e abandonar (deixar de lado) a mente.
      Você está certo em dizer que pensar sobre alguma coisa nada mais é do que pensar sobre a idéia que temos de alguma coisa. Mas a prática não é a repetição mental do pensamento de Brahman. Brahman, o Absoluto, é a realidade além de tudo, e certamente não pode se pensar sobre Ele. O “pensar”, aqui, refere-se ao “voltar a atenção a”, “focar a mente em”. O próprio texto declara que o Absoluto é a Consciência que testemunha, e vice-versa. Ou seja, “pensar sobre Brahman” pode ser lido como Ramana Maharshi o lia: focar a atenção no Ser (EU SOU ou Consciência), o que em si é a autoinquirição, que é geralmente feita com o auxílio da pergunta “quem sou eu?”, mas com ela não se confunde.
      Por outro lado, mesmo que se tratasse de focar a mente em um único pensamento, isso em si já teria o efeito de acalmar a mente (embora não seja a autoinquirição).
      O tempo que o “praticador” deve existir depende da maturidade de cada um. Na verdade ele não existe, mas entender apenas isso e continuar existindo enquanto uma pessoa não funciona.
      As palavras existem para aponta para a Verdade. Pretender se comunicar em linguagem puramente não dual é uma ingenuidade. O que percebi, no meu caso, é que com o tempo a compreensão mudou, e fica muito mais importante olhar para a direção daquilo que é apontado do que tentar entender as palavras em si, no seu nível.
      Abraços!

  • Niraj, obrigado pelo retorno.

    Minhas questões não foram feitas devido ao “desconhecimento do texto”. Me referi ao que foi postado.

    Penso que as palavras de forma alguma podem apontar para a verdade, mas, tão somente, levantar questionamentos quanto ao que se tem como verdade. O que vejo como FATO é bem simples: não há como “abandonar a mente”, NÃO HÁ FACILIDADE NENHUMA, isso é mera idéia. Isso propõe fragmentação, dualidade, uma mente e um “abandonador”.

    Há, no meu caso, uma observação da mente e essa observação dá a capacidade de não identificação com suas sugestões sempre condicionadas. Mas, no mesmo momento em que se abandona uma de suas sugestões, ela continua seu processo e eu na minha observação. Não concordo de modo algum numa aceitação total do que foi postado por qualquer um que diga ter sido tocado pela verdade. Este texto, por exemplo:


    M: Abandonar a mente é muito fácil, tão fácil quanto amassar uma flor delicada, tirar um fio de cabelo da manteiga ou piscar os olhos. Não tenha dúvida. Para um buscador resoluto, senhor de si e não enfeitiçado pelos sentidos, que pelo intenso desapaixonamento se tornou indiferente aos objetos externos, não pode haver a menor dificuldade em abandonar a mente.

    Para mim, não vejo nenhuma realidade nessa afirmação. Tanto que nem eu, nem você e nem outros poucos seres humanos sérios que conheço afirmam ser livres dos movimentos da mente. Se for fácil assim, onde estão essas pessoas abençoadas por essa facilidade?

    Pelo que tenho visto nestes meus anos de séria busca, os poucos que realmente tiveram uma total transformação interior, não o fizeram pelo esforço da vontade ou do uso de qualquer prática. Algo aconteceu, INDEPENDENTE DE SUAS VONTADES, em momentos inesperados, um insight, um “Ah! É isso!”, um “eureka”, um “então, esse é o deus dos pregadores”. E, quase sempre, depois de um ponto de saturação total, onde as buscas, vontades, práticas, gurus, mestres, crenças, cairam pelo chão diante de uma total rendição. Desconheço, tanto na história dos países, como dos homens, qualquer facilidade para obter qualquer tipo de libertação. Se isso se faz real no plano físico, que dirá no plano psicológico?

    Idéias e palavras… Idéias e palavras!

    Bons momentos!

    • O fato de não haver facilidade para você não significa que o texto esteja falando uma inverdade ou fantasiando. Veja o caso do Ramana Maharshi: ele fez a autoinquirição uma vez e, com isso, abandonou a mente para sempre. Porque ele estava pronto, maduro. Em casos assim acontece com facilidade praticamente sem esforço. Contudo, de certa forma todos eles são fruto do esforço passado (nessa ou em outras vidas.
      Você disse:

      O que vejo como FATO é bem simples: não há como “abandonar a mente”, NÃO HÁ FACILIDADE NENHUMA, isso é mera idéia. Isso propõe fragmentação, dualidade, uma mente e um “abandonador”.

      E por que não há como abandonar a mente?
      Não vamos falar de especulação ou filosofia, aqui, mas de nossa experiência íntima.
      Você sente que não há como abandonar a mente? Por quê?

      Você disse:

      Há, no meu caso, uma observação da mente e essa observação dá a capacidade de não identificação com suas sugestões sempre condicionadas. Mas, no mesmo momento em que se abandona uma de suas sugestões, ela continua seu processo e eu na minha observação.

      Sim, observar a mente é um bom começo. Se você observa a mente, a mente é um objeto, um fênomeno surgindo na consciência; e, para você saber disso, você só pode ser a própria Consciência, o sujeito. “Praticando” continuamente assim, o puro EU SOU se liberta de todas as associações (ou “atributos limitadores”, como diz o texto). Isso, em outras palavras, é o observar da mente.
      Mas, certamente, chega um momento em que não há mais observar.

      Você disse:

      Não concordo de modo algum numa aceitação total do que foi postado por qualquer um que diga ter sido tocado pela verdade.

      Ninguém quer convencer ninguém de nada (imagino). Se você sente verdade nas palavras, olhe; caso contrário, deixe-as aí, sem concordar ou discordar.
      Lembro-me várias vezes ter “discordado” de coisas que, futuramente, só vi que era porque eu não entendia.

      Eu já conheci pelo menos três mestres que posso dizer que reconheço estarem livres dos movimentos da mente.
      Por outro lado, fácil ou difícil, sei por experiência própria (ainda que não total) a realidade disso.
      As pessoas “abençoadas” por essa facilidade são aquelas que já suaram a camisa muito na prática correta. Não é uma loteria divina.
      Já nos primeiros capítulos do livro o mestre fala de quatro qualidades indispensáveis para que se tenha sucesso na autoinquirição (forte desejo pela libertação, abandonar todo o desejo de gratificação dos sentidos, discernimento espiritual, e um grupo de seis virtudes). Ou seja, para aquele buscador que desenvolveu essas virtudes, o abandonar da mente é fácil – tão fácil quanto ele tenha desenvolvido essas qualidade, em especial o não desejar nada. O desejo move a mente.

      Você disse:

      Pelo que tenho visto nestes meus anos de séria busca, os poucos que realmente tiveram uma total transformação interior, não o fizeram pelo esforço da vontade ou do uso de qualquer prática.

      Talvez eu seja uma exceção, então.
      É claro, de certa forma a transformação sempre acontece por algo que está além dos nossos esforços, mas eles são necessários, também. Mesmo os exemplos que você citou demonstra isso. No meu caso, depois de muito esforço contínuo em direção de praticar e compreender aquilo que iluminados como o Ramana, Buda e Nisargadatta dizem, em certo momento senti que “a busca acabou”. Contudo, ainda continua, involuntariamente, um contínuo “voltar-se” e “aprofundar-se” nessa Verdade e experiência do Ser.
      Tudo isso é brincando um pouco com as suas palavras e os conceitos que jogou. Mas o que sinto no meu coração para te dizer, mesmo, é: quem acha difícil abandonar a mente? Quem tem mente? Quem fica observando?
      Com esse olhar vemos que, de fato, não há mente há abandonar, nem ninguém para fazer qualquer coisa (tal como “abandonar”). Mas isso tem que ser um sentir, um ver, e não apenas um entender. Daí, quando o mestre diz que “abandonar a mente a fácil”, não veremos motivo para discordar.
      Não é fácil nem difícil, porque eu sempre sou como sou, assim mesmo, além de tudo. Mas, do ponto de vista relativo, podemos dizer que é fácil ou difícil. Neste texto, o mestre, falando para um discípulo maduro e livre de desejos, diz que é fácil. Não vejo como discordar.

      Abraços!

  • Niraj, bom dia!

    Por favor, com quantos anos de busca e com que idade, Ramana Maharshi recebeu a bem-aventurança de um modo de ser livre das redes do condicionamento mental? Aconteceu assim, de um instante para outro? Ele nasceu maduro? Ou a sua bem-aventurança foi fruto de anos e anos de tentativas e erros, de crenças e abandonar de crenças? Se é possível a opção de esforços inclusive em outras vidas, como você afirma em seu post, não vejo incoerência nenhuma em eu não aceitar a fala exposta no texto de que Abandonar a mente é muito fácil, tão fácil quanto amassar uma flor delicada, tirar um fio de cabelo da manteiga ou piscar os olhos. Não tenha dúvida.

    Você me pergunta: E por que não há como abandonar a mente?

    Eu lhe respondo com outra pergunta: Você já é livre dela?
    Se, como eu, ainda olha isso apenas como uma idéia, não será possível se conformar com ela, do mesmo modo que alguém vitimado por uma fratura exposta não pode se contentar com a idéia passada por um médico de que o uso do gesso por um tempo, aliado a fisioterapia, poderá trazer novamente a estabilidade perdida pelo “desvio” dos ossos.

    Digo que, aquele que pensa poder abandonar a mente — o abandonador — não tem como fazê-lo, uma vez que, sua própria idéia de abandonar a mente, É FRUTO DA PRÓPRIA MENTE, OU DE SUA COMPREENSÃO MENTAL. Ele por si mesmo não pode se ver livre das mentiras da mente. No entanto, como a experiência tem mostrado, através da observação, pode se libertar da IDENTIFICAÇÃO, ou seja, FICAR IDENTICO AS SUAS SUGESTÕES E DESEJOS. Vejo que esse estado de bem-aventurança, não é fruto do “abandonador”, mas sim, da própria bem-aventurança. Ela não é algo fixo, estático, para onde alguém possa apontar. Fosse assim, não estaríamos aqui, dependentes da experiência de bem-aventurança de terceiros. Isso não tem nada haver com especulação ou filosofia. Especulação significa investigação teórica. Pois bem, o que falo é baseado em minhas próprias experiências. Teorizar é quando me pego na experiência de terceiro. Teoria é sinônimo de ideal, e para mim, afirmar ser fácil se libertar da mente, SEM AINDA SER DE FATO LIVRE DELA, ISSO SIM É TEORIZAR. Bom lembrar que outros significados para teoria é utopia e irrealidade.

    Eu não posso afirmar algo que ainda não experimentei. Ramana diz que a melhor pizza se encontra aos pés do Himalaia e que eu posso comê-la muito facilmente. Bem, não estou no Himalaia e nem sei se tal pizza existe.

    Também não ouvi isso diretamente de Ramana, nosso contato se deu através da ajuda de tradutores e, como diz o ditado, muitas vezes o tradutor traí.

    Se eu estiver morto de fome e quiser saber (e não sair por ai fazendo propaganda de algo que não experimentei), TENHO QUE ME DAR AO TRABALHO DE FAZER O PERCURSO, que com certeza, NÃO SERÁ NADA FÁCIL. Demandará tempo, esforço e dedicação. Por isso não concordo com o texto.

    Você AFIRMA, baseando-se na experiência de terceiros:

    ..Mas, certamente, chega um momento em que não há mais observar.

    Com todo respeito, PARA MIM, enquanto EU não estiver livre disso, ainda é somente mais uma belíssima teoria (as quais encontrei em vários sistemas, devidamente defendidas por outros que também não haviam experienciado o que propagavam: membros estudiosos de Osho, Krishanamurti, Yogananda, Aurobindo, Joel S. Goldsmith, Nietzsche…).

    Não vejo porque a discordância com o meu posicionamento de não concordar com a firmação da facilidade de se Abandonar a mente, tão fácil quanto amassar uma flor delicada, tirar um fio de cabelo da manteiga ou piscar os olhos, uma vez que você mesmo afirmou que as pessoas “abençoadas” por essa facilidade são aquelas que já suaram a camisa muito na prática correta.
    Não é uma loteria divina.

    Você pode dizer para mim que existe alguma facilidade e instantaneidade em, como afirma seu mestre no início do livro, em ter um forte desejo pela libertação, abandonar todo o desejo de gratificação dos sentidos, discernimento espiritual, e um grupo de seis virtudes?

    Ele ainda continua: Ou seja, para aquele buscador que desenvolveu essas virtudes, o abandonar da mente é fácil – tão fácil quanto ele tenha desenvolvido essas qualidade, em especial o não desejar nada. Para mim, isso é o mesmo que dizer que para um pizzaiolo do Himalaia que já trabalha nessa área há mais de 20 anos é muito fácil fazer uma pizza quatro queijos. Será que ele afirmaria isso de pronto?

    Niraj, uma garrafa de água com um pouco que seja de sujeira em seu interior, não é limpa e não existe “meia mulher grávida”.

    Eu encerro minha participação neste tópico lhe fazendo uma pergunta simples:

    VOCÊ JÁ É LIVRE DA MENTE?

    Apesar dos limitados relatos de terceiros, acredito ser isso possível (a libertação da mente). No entanto, como ainda não o sou, continuarei observando e questionando sempre, tudo que vejo dentro e fora. Não creio que eu possa achar a Verdade, mas, no entanto, posso fazer o trabalho árduo para me fazer achável.

    Respeito seu “ponto de vista”, mas no meu “ponto de vista”, enquanto, por mais maduro que alguém esteja, se AINDA NÃO É LIVRE DA MENTE, há como se discordar.

    Meu caro, ainda somos “pontos”, nada sabemos, por experiência própria, o que seja a TOTALIDADE. O que se vê espelhado de modo algum é a realidade. Só por agora, é assim que vejo as coisas.

    Bons momentos!

    Nelson Jonas

    • Caro Nelson,

      Ramana alcançou espontaneamente a iluminação aos 16 anos de idade, sem nunca ter praticado nada antes. Ao dar uma resposta a uma pessoa que lhe perguntava sobre silêncio, contudo, ele deixou claro que é preciso de esforço para poder estar no estado de simplesmente ser, sem ser perturbado pela mente. Noutro momento ele afirmou que em vidas passadas deve ter tido um mestre espiritual.
      Nos meus posts anteriores deixei claro que esse libertar-se da mente é muito fácil para aquele que já seja maduro – ou seja, que amadureceu depois de tantos esforços no sentido de transcender a mente. Assim como foi fácil para o Ramana, que tinha esse nível de maduridade, na época.

      Você disse:
      Você me pergunta: E por que não há como abandonar a mente?
      Eu lhe respondo com outra pergunta: Você já é livre dela?

      Você havia feito uma afirmativa, e eu queria saber a razão dela, daí minha pergunta. Mas você não responde, mas me lança uma outra pergunta (que agora passo a responder).
      Eu não tenho dúvida de que não sou a mente. Contudo, pela força do hábito da identificação com a mente, praticado durante anos não só nesta vida como em pretéritas, a mente continua surgindo e fazendo seus comentários. No entanto, não tem mais a fração do poder que tinha antes, e cada vez mais se aquieta e desaparece.

      Você disse:
      Se, como eu, ainda olha isso apenas como uma idéia, não será possível se conformar com ela, do mesmo modo que alguém vitimado por uma fratura exposta não pode se contentar com a idéia passada por um médico de que o uso do gesso por um tempo, aliado a fisioterapia, poderá trazer novamente a estabilidade perdida pelo “desvio” dos ossos.

      Como eu respondi acima, para mim não é apenas um conceito, mas uma realidade. Com o passar do tempo, o paciente, seguindo as instruções do hábil médico, começa a curar-se. Ainda que não esteja 100% curado, já experimentou cura o suficiente para saber que os conselhos do seu médico são confiáveis e verdadeiros. Portanto, não são apenas idéias ou palavras; não são algo que eu preciso acreditar ou aceitar. É o que está acontecendo.

      Você disse:
      Digo que, aquele que pensa poder abandonar a mente — o abandonador — não tem como fazê-lo, uma vez que, sua própria idéia de abandonar a mente, É FRUTO DA PRÓPRIA MENTE, OU DE SUA COMPREENSÃO MENTAL. Ele por si mesmo não pode se ver livre das mentiras da mente.

      Concordo plenamente contigo.

      Você disse:
      No entanto, como a experiência tem mostrado, através da observação, pode se libertar da IDENTIFICAÇÃO, ou seja, FICAR IDENTICO AS SUAS SUGESTÕES E DESEJOS. Vejo que esse estado de bem-aventurança, não é fruto do “abandonador”, mas sim, da própria bem-aventurança. Ela não é algo fixo, estático, para onde alguém possa apontar.

      O que pode se libertar não é o “abandonador” – que nada mais é do que o ego, mas sim a Consciência que, justamente por se identificar com o corpo-mente, funciona como se fosse o ego (um ser individual, relativo).

      Você disse:
      Isso não tem nada haver com especulação ou filosofia. Especulação significa investigação teórica. Pois bem, o que falo é baseado em minhas próprias experiências. Teorizar é quando me pego na experiência de terceiro. Teoria é sinônimo de ideal, e para mim, afirmar ser fácil se libertar da mente, SEM AINDA SER DE FATO LIVRE DELA, ISSO SIM É TEORIZAR. Bom lembrar que outros significados para teoria é utopia e irrealidade.

      Sim, e quem afirma é o mestre, no texto, e não eu. O que disse em resposta ao teu primeiro comentário é que é irrelevante pensar ser fácil ou difícil – é o que deve ser feito, para aquele que despertou para isso.
      E, o que posso dizer por conta própria é que, quanto mais se exercita esse “poder” de não se identificar com a mente ou qualquer fenômeno que surge, mais fácil fica. Para aquele que já exercitou isso bastante – como, possivelmente, o discípulo para quem o mestre fala – não deve haver a dúvida de que é difícil.

      Você disse:
      Também não ouvi isso diretamente de Ramana, nosso contato se deu através da ajuda de tradutores e, como diz o ditado, muitas vezes o tradutor traí.

      Sim, é verdade quanto à tradução. Mas, em geral, acredito que os ensinamentos em inglês são fonte confiáveis. Os tradutores eram pessoas bem próximas e “embuídas do espírito”. Também teve muita coisa que o próprio Maharshi escreveu.
      Ou senão a única alternativa sua, continuando nessa linha de raciocínio, é tentar buscar um mestre vivo…

      Você disse:
      Se eu estiver morto de fome e quiser saber (e não sair por ai fazendo propaganda de algo que não experimentei), TENHO QUE ME DAR AO TRABALHO DE FAZER O PERCURSO, que com certeza, NÃO SERÁ NADA FÁCIL. Demandará tempo, esforço e dedicação. Por isso não concordo com o texto.

      Você usa os verbos no condicional, no futuro – “se eu estiver”, “e quiser”, “não será”, “demandará”. Afinal, você está fazendo o percurso, ou especulando como será o percurso se você “quiser saber”? Faço essa pergunta de honestidade, sem sacanagem.

      Você AFIRMA, baseando-se na experiência de terceiros:
      ..Mas, certamente, chega um momento em que não há mais observar.

      Não disse isso com base em experiência de terceiros. É uma realidade aberta para todos. Mesmo com um pouco de prática a pessoa pode perceber que se chega a este ponto em que a função do “observar” desaparece e resta apenas o ser, ali.

      Você disse:
      Não vejo porque a discordância com o meu posicionamento de não concordar com a firmação da facilidade de se Abandonar a mente, tão fácil quanto amassar uma flor delicada, tirar um fio de cabelo da manteiga ou piscar os olhos, uma vez que você mesmo afirmou que as pessoas “abençoadas” por essa facilidade são aquelas que já suaram a camisa muito na prática correta.

      Como já disse, não discordei, mas apenas apontei que não há porque pensar assim.
      E a facilidade a que se refere o mestre parece estar ligada mais ao “momento final” do que ao processo inteiro, que obviamente inclui esforços reiterados.

      Você disse:
      Você pode dizer para mim que existe alguma facilidade e instantaneidade em, como afirma seu mestre no início do livro, em ter um forte desejo pela libertação, abandonar todo o desejo de gratificação dos sentidos, discernimento espiritual, e um grupo de seis virtudes?

      Tais condições são em parte fruto do esforço consciente, e em parte do amadurecimento natural da vida.

      Niraj, uma garrafa de água com um pouco que seja de sujeira em seu interior, não é limpa e não existe “meia mulher grávida”.

      Concordo. Mas, no caso, acredito que a metáfora do homem que vai paulatinamente se curando (utilizada acima) explicita melhor a questão.

      Eu encerro minha participação neste tópico lhe fazendo uma pergunta simples:
      VOCÊ JÁ É LIVRE DA MENTE?

      Já respondi isso, acima.

      Você disse:
      Apesar dos limitados relatos de terceiros, acredito ser isso possível (a libertação da mente). No entanto, como ainda não o sou, continuarei observando e questionando sempre, tudo que vejo dentro e fora.

      De certa forma acredito que isso é uma boa atitude.

      Meu caro, ainda somos “pontos”, nada sabemos, por experiência própria, o que seja a TOTALIDADE. O que se vê espelhado de modo algum é a realidade. Só por agora, é assim que vejo as coisas.

      Sim, e enquanto continuarmos acreditamos que somos apenas um ponto, uma onda no oceano, um “eu” (ego) operando um corpo-mente, jamais conheceremos a única realidade/totalidade: nosso SER enquanto oceano.

      Abraços!

  • willian

    niraj gostaria de saber como usar autoinquirição.

    Boa noite ^^

  • willian

    Não acho que entendi muito bem.

    Eu devo me pergunta “Quem sou eu?” e depois disso oque eu faço??? Eu devo voltar a pergunta e ficar só com a pergunta??? Devo abandonar os pensamentos, sentimentos… e ficar só com a pergunta?

    Outra duvida:

    Quando percebo que paro de pensar(palavras, linguagem) por alguns segundos ou os pensamento diminuem eu fico agitado, as vezes até agitado.
    Poderia comentar sobre isso.

    Muito obrigado

    • Na verdade a pergunta “quem sou eu?” não é o objeto da meditação em si, mas sim uma ferramenta para voltar-se ao Ser. O “esforço”, digamos assim, deve ser dirigido em manter a atenção no sentimento de “EU SOU”, que é o seu sentimento inato de existir, de SER. é um sentimento puro, sem imagens, conceitos ou referências ligados a ele. Apenas pura existência. é a realidade por trás do seu sentimento de “eu”. Foque-se aí e, sempre que vir que a atenção está divagando para pensamentos e outros fenômenos, retorne-a ao seu Ser, ou Consciência, através da pergunta “quem sou eu?”, “quem sou eu que percebe tudo isso?”.
      Quanto à segunda parte, esse tipo de agitação pode surgir (para mim surgiu várias vezes, e as vezes ainda surge). Eu diria que não é exatamente uma agitação, mas sim o efeito de a energia da mente, que está sempre se movendo, parar por um instante. Com o tempo essa sensação tende a desaparecer e deixar lugar a um estado mais “cool”, mais leve e sem esforço – um repouso no vazio.

      Abraços

  • willian

    niraj outra duvida:

    E Quando vc para de pensar(palavras, linguagem) e fica uma musica ou som.

    • Essa música ou som também é um fenômeno – ou seja, é um objeto na consciência, algo que é percebido por você (Consciência). Portanto, a inquirição, neste ponto, significa voltar novamente a atenção à Consciência que testemunha, e não aos objetos testemunhados. Você pode fazer isso com ajuda da pergunta “quem sou eu que percebe este som?”.

  • willian

    niraj vc mora em que cidade?? Vc já conheceu Mooji?

    • Moro em Porto Alegre.
      Sim, conheci Mooji. Estive com ele aqui no Brasil em 2008 e 2009, bem como na Índia em 2009 e 2010.

  • katia silva

    Autoinquirição:
    Faz um certo tempo, nao muito – talvez uns 2 meses, q comecei c a autoinquirição mas estou achando muito dificil controlar medos e a agitacao fica mais forte; é facil cair no desespero e esquecer a autoinquirição.

    Sobre a pergunta do William – agitacao da mente que fica mais forte, estou desconfiada q ela a mente nao fica mais agitada mas somos nos que tomamos consciencia do quanto esta agitacao é constante e forte.

    Houve momentos aonde eu percebi claramente e por longos periodos de tempos -3 semanas-o EU SOU e a paz; mas abandonei por nao suportar a sensacao de uma carga eletrica constante no meu corpo. Eu nao tinha ninguém p me orientar e nao sabia o q fazer, so q a sensacao estava insuportavel à ponto de eu nao poder mais dormir. (Alias, o insuportavel é a consciencia da situacao, prq a situacao em si esta la, o tempo todo).
    Hoje, vejo q o insuportavel é tbém este esforco constante p permanecer na consciencia, qdo utilizo a autoinquirição (se eu nao tivesse grandes preocupacoes na vida, seria mais facil (?). Nao sei se é verdade.

    Mestre:
    Eu gostaria muito de ter um mestre proximo de mim, p espairar minhas duvidas, prq qdo Mooji fala, eu entendo de uma forma clara. Mas sei q preciso me certificar disso prq a mente coloca as palavras distantes. Um mestre, p mim, serve p me relembrar constantemente de quem eu sou (ou mais correto: o que eu nao sou), sem este esforco supremo de fazer sozinha e lutar contra os habitos enraigados.(embora eu nao queira ver isto como uma luta, é o q é, pois devo à cada segundo me bater contra os habitos automaticos da mente e do corpo).

    Iluminados:
    Mas eu me pergunto: prq todos os iluminados se referem à iluminacao como se fosse algo simples, como se fosse somente um problema de compreensao ou de crenca, e q tudo o q temos q fazer é fazer? mas… fazer o que?

    • niraj

      Katia,

      Na autoinquirição voce nao deve tentar controlar medos ou qualquer fenomeno mental que surja – seja emoção, sentimento, energia, pensamento, etc. Deixe surgir o que quer que surja; permaneca indiferente, com a sua atenção voltada ao seu Ser enquanto Consciencia observadora.
      Algumas sensações diferentes na mente e no corpo sao comuns de acontecer nesse caminho, ja que esta acontecendo um redirecionamento forte de atenção, energia, magnetismo. Nao se preocupe muito com isso – esse tipo de situação não dura para sempre. Continue aos poucos, sem pressa nem pânico, que com o tempo há apenas um doce e suave sentimento de desapego, paz, contentamento. Nao deixe que nada faça com que você desista.
      Sobre o esforço de permanecer na Consciencia, no início o sentimento é assim mesmo, como uma luta, um esforço constante. Foi assim para mim também, mas o que percebo hoje é que a autoinquirição toma mais a forma de um suave e constante relembrar. Não se desanime, é assim mesmo. Como Bhagavan disse, com a prática cresce a capacidade de se manter com a atenção na Fonte.
      A nossa mente e identidade, nossa forma de viver e perceber o mundo, está enraizada na ilusão, desde tempos imemoriais. Assim, a autoinquirição no início é quase como nadar contra a corrente – e é por isso que muitos não a fazem, ou fazem por tão pouco tempo ou com tão pouca intensidade/seriedade, que nenhum resultado verdadeiro é experimentado, e há apenas compreensão intectual (no máximo). E, não há dúvida que a presença de um mestre vivo é essencial neste caminho – pelo menos para a maioria das pessoas, que não tem a maturidade espiritual que o Ramana tinha.
      É verdade que a grande maioria dos mestres, no Advaita, falam que a iluminação é algo simples. Ramana dizia que é a coisa mais fácil que existe – e isso porque não exige esforço nenhum, já que é a nossa própria natureza. Como não exige qualquer esforço, é a coisa mais facil. Por outro lado, o que é difícil é abandonar a nossa maneira errônea de perceber a realidade e quem nos somos. Mas, mesmo para isso, o caminho é claro, simples, e direto. Com um pouco de leitura, contemplação, e participação em Satsangs a pessoa ja percebe qual é a ilusão e como cortá-la. Daí para frente é so praticar e continuar aprofundando a compreensão – quanto ao tempo que demora ou as dificuldades a serem experiencidas nesse caminho, vai depender da intensidade da busca de cada pessoa, bem como da sua maturidade espiritual. Quanto mais você se devotar a isso, e quanto menor for seu interesse em outras coisas, mais direto será o caminho.

      Abracos,
      Niraj

  • willian

    niraj uma duvida:
    Como eu disse anteriormente, quando eu paro de pensar ( palavras, linguagem) e fica um som. Eu devo usar autoinquirição ate esse som sumir?
    Eu geralmente deixo o som e fico observando.
    Eu devo usar autoinquirição ate esse som sumir?
    Eu consigo parar de pensar (palavras, linguagem), por alguns instante, mas o tempo esta aumentando e quantidade de vezes tbm. Eu acho que me preocupo de mais, pois geralmente esqueço da autoinquirição.

    Niraj alem do livro, Mooji – Antes do Eu Sou
    qual outro vc recomendaria ler para quem estar começando.

    katia silva
    Para mim duas coisas fica claras quando para de pensar:
    – Eu estou sempre agitado, mas não estava percebendo.
    – Eu estava sem atenção.

    Segundo Osho a agitação diminui com atividades físicas

    • Caro Willian,

      Não se preocupe com o som. Não é importante se ele está aí ou se ele some; a autoinquirição que você faz não é para se livrar do som… Apenas permaneça com a atenção focada no seu Ser, na Pura Consciência, no apenas observar neutro. Daí tanto faz se o som permanece ou desaparece.
      O importante é permanecer focado no Ser, e não ficar avaliando como anda o seu progresso, se os pensamentos estão aumentando ou diminuindo, etc. Essa atitude em si mesma é mente, barulho – contraprodutiva.
      No link http://advaita.com.br/ramana-maharshi/ensinamentos/ você encontra uma lista de livros e textos.

      OM,
      Niraj

  • Ed Carlos

    Não estou no nível de vocês, porém minha experiência me mostra que a natureza de minha mente é sempre está desejando alcançar um fim prazeroso. Desejo alcançar um estado que me traga paz ou melhor uma grande sensação de bem estar. Pergunto, no entanto, quem está buscando, quem é o buscador?!!! A consciência de “eu” separado do objeto, ou seja, do outro, faz com que sintamos separados de algo, por isso, creio eu, que buscamos algum tipo de preenchimento. Mas por meio da autoinquirição, percebi que esse “eu” e esse outro, pode ser percebido dentro de um espaço que chamamos consciência ou campo de percepção, mas que depois que a denominamos já se tornou novamente um objeto. Portanto, creio que enquanto existir a idéia de que sou separado de algo e enquanto desejar essa união, não terei percebido a minha ignorância de achar que sou o objeto percebido (mente). Acho que temos que abandonar também o desejo da própria realização, que obviamente é da natureza da mente. Continuaremos sempre a andar em círculos. Ah, outra coisa, acho também que precisamos ter fé em nossos mestres, principalmente quando somos tocados num satsang ou qualquer outro contato com estes grandes mestres, que nos dá uma pequena ou grande intuição de que já sabemos o que eles estão tentando passar.

    • Caro Carlos,

      Você disse “Não estou no nível de vocês, porém minha experiência me mostra que a natureza de minha mente é sempre está desejando alcançar um fim prazeroso. Desejo alcançar um estado que me traga paz ou melhor uma grande sensação de bem estar. Pergunto, no entanto, quem está buscando, quem é o buscador?!!! A consciência de “eu” separado do objeto, ou seja, do outro, faz com que sintamos separados de algo, por isso, creio eu, que buscamos algum tipo de preenchimento. Mas por meio da autoinquirição, percebi que esse “eu” e esse outro, pode ser percebido dentro de um espaço que chamamos consciência ou campo de percepção, mas que depois que a denominamos já se tornou novamente um objeto. Portanto, creio que enquanto existir a idéia de que sou separado de algo e enquanto desejar essa união, não terei percebido a minha ignorância de achar que sou o objeto percebido (mente).

      Perfeito, não tenho nada a discordar. O que você escreveu demonstra que realmente estás contemplando.

      Então você diz: “Acho que temos que abandonar também o desejo da própria realização, que obviamente é da natureza da mente. Continuaremos sempre a andar em círculos. Ah, outra coisa, acho também que precisamos ter fé em nossos mestres, principalmente quando somos tocados num satsang ou qualquer outro contato com estes grandes mestres, que nos dá uma pequena ou grande intuição de que já sabemos o que eles estão tentando passar

      Como eu percebo que aconteceu comigo mesmo, e também das contratições que se vê nos ensinamentos dos mestres nesse sentido, o desejo de alcançar a realização é essencial no início. Ele será o motor para abandonar toda a falsidade em nós, toda a ilusão. No entanto, na medida em que nossa inquirição se aprofunda, cada vez mais este “eu” perde poder e desaparece, então o desejo de alcançar a iluminação se torna algo estranho, desnecessário.
      Mas mesmo assim um amadurecer nesta Verdade continua – aí mesmo sem nenhuma motivação ou desejo – até o advento da suprema Libertação. Porém, já não mais se tem a sensação/idéia de que algo está faltando, ou de que eu sou um buscador.

  • Benedito

    Gostaria de saber se é válido substituir a inquirição quem sou eu? pela afirmação Eu sou-como se fosse um mantra.

    • Bhagavan em geral aconselhava o questionamento “quem sou eu?” (que na verdade é uma ferramenta para revelar a irrealidade do ego e focar a atenção no “eu sou”) como o método mais direto. Por outro lado, em certas ocasiões ele também disse que repetir incessantemente “eu-eu” no coração leva à mesma Fonte. Nesse caso, você deve fazer essa repetição interna ao mesmo tempo em que foca no “eu sou”. Assim, dá na mesma.

  • Jésus

    niraj

    Há mais ou menos 03 meses, tive a oportunidade de conhecer esse site,está sendo uma dádiva para mim. Venho buscando o autoconhecimento desde os meus 18 anos ( hoje tenho 44 )e de lá pra cá, muitas vezes tentei abandonar tudo isso, devido a grande investimentos em centenas de livros de várias filosofias, religiões e etc e principalmente por não saber nada de mim ainda e não conseguir transformar os conhecimentos em vivências, pois se tivesse conseguindo, eu não teria causado tantos sofrimentos para as pessoas ao meu redor e para mim mesmo. Muitas vezes em minhas identificações com a minha mente e as minhas emoções eu já pensei em queimar todos os meus livros e até cometer suicidio, mas há algo em mim, que eu não sei o que é, me retira da minha mente e de minhas identificações com as coisas deste mundo, então sinto-me em paz e com serenidade. Esse estado não dura muito tempo, parece que rapidamente entro em uma dimensão na qual esqueço tudo que aprendi durante todos esses anos e continuo sendo um homem de reação e não de ação, a mente o ego em um piscar de olhos me arrasta e lá estou eu novamente reagindo da velha meneira criando sofrimento para mim e meus semelhante…tenho uma grande dificuldade de desindentificar de tudo isso, a mente chega como uma chuva de verão, quando vejo, já fui molhado por ela. Niraj onde posso fortalecer a minha alma, espirito, consciência ou sei lá o que, para não ser vítima das circunstâncias e de meus próprios desejos e pensamentos, já tentei muitas coisas, mas vejo que todas essas tentativas faz parte do causador de todos esses problemas, estou cansado de tanta leitura, prática e acúmulo de conhecimento….obrigado.

    • Caro Jésus,

      Fiquei tocado com a sua mensagem sincera e intensa.
      O que me vem do coração para lhe dizer é: esqueça todos os livros e técnicas. Há apenas um conselho supremo, uma única “atitude” ou “meditação” que é ensinada por grandes mestres como Sri Ramana, Nisargadatta Maharaj e Papaji e também Mooji, e é: permaneça como Consciência. Eu também já li dezenas de livros e tentei algumas técnicas, e nunca encontrei algo tão efetivo e poderoso quanto essa autoinquirição.
      Tudo o que você precisa fazer é lembrar-se quem você é, e permanecer aí. Não como um exercício mental ou intelectual, mas sim como um VER um investigar interior. Vou explicar melhor.
      Você tem um desejo muito belo de não causar mais sofrimento a si mesmo e aos outros. Você diz que muitas vezes age em reação às circunstâncias, e que isso traz confusão e sofrimento. Isso é simplesmente a forma como o corpo-mente o qual conhecido por Jésus foi condicionado a agir. Mas você não é este condicionamento.
      Tanto as circunstâncias externas quanto a sua reação e seu condicionamento – tudo isso são fenômenos que surgem, se manifestam e desaparecem na sua consciência. Mesmo a sua identificação e os sentimentos e pensamentos que surgem depois do acontecimento também são fenômenos que surgem na sua consciência, assim como o próprio “eu” que os sofre e os percebe. Como você está consciente de todas essas coisas, você NÃO É essas coisas; elas são apenas objetos no seu campo de consciência. Assim, tudo o que precisa acontecer é o reconhecimento de que você não é nenhum objeto que surge na consciência, que nada disso tem qualquer relação com você, e que você é apenas a Consciência em si.
      Essa é a sua Verdade e sua verdadeira posição. E isso é esquecido porque temos a tendencia, fruto de maya, de nos identificar com o corpo-mente como sendo “eu”; contudo, mesmo este corpo e esta mente, e mesmo esta identificação com eles e com tudo o que lhes diz respeito, mesmo isso é um fenômeno na Consciência que você é.
      Contemple assim repetidamente, e certamente encontrarás em você aquele ponto que não é associado a nada, que não é afetado por nada que acontece na Consciência, assim como encontrei e vários outros buscadores sinceros também encontraram. Isso é o que você é agora mesmo. Não fique desencorajado.
      Uma vez descoberto esse ponto, esse espaço, essa realidade, você pode dissolver toda e qualquer ilusão nela, e aos poucos ir se estabelecendo cada vez mais nesta paz.
      Esse é o significado do conselho supremo “permaneça como Consciência” ou “seja quem você é”, e também do processo “quem sou eu?”
      Tal contemplação pode e deve ser feita repetidamente, diariamente. Pode ajudar separar alguns minutos por dia só para contemplar isso ou “meditar sobre o Ser” (que nada mais é do que manter toda a sua atenção em você, a Consciência que brilha como EU SOU). E sempre que você se lembrar, principalmente quando se sentir envolvido com pensamentos, etc., contemple assim, e perceberás que quem você é é Consciência. Nada mais é necessário.

      Abraços!

  • Jésus

    Niraj,

    Quando vc diz “Como você está consciente de todas essas coisas, você NÃO É essas coisas; elas são apenas objetos no seu campo de consciência. Assim, tudo o que precisa acontecer é o reconhecimento de que você não é nenhum objeto que surge na consciência, que nada disso tem qualquer relação com você, e que você é apenas a Consciência em si”
    Então somos a Consciênca onde tudo aparece e acontece e isso são fenômenos transitórios,então te pergunto quem está criando tudo isto? É a minha consciência ? é a minha mente ? Com qual objetivo ? Outra coisa quando vc diz: “permaneça como Consciência” ou “seja quem você é” Te pergunto neste estado de Consciência, não há mente-corpo,pensamentos, desejos e criações ? se sim como o meu mundo surge, como eu existo? Quando pensamos estamos criando e não vejo como viver nesse mundo de tantas solicitações, sem usar esses objetos e pensamentos para agirmos, agora nesse exato instante estou identificado com esses objetos que surgem na minha consciência para podermos conversar, o que será de nós sem pensamentos ? sem desejos? sem ação da vontade? ou seja, somente nesse estado que vc chama de Consciência, EU SOU e etc.

    Um abraço.

    • Caro Jésus,

      você pergunta que, se somos “a Consciênca onde tudo aparece e acontece e isso são fenômenos transitórios,então te pergunto quem está criando tudo isto? É a minha consciência ? é a minha mente ? Com qual objetivo ? “. Esse tipo de pergunta não ajuda, porque a resposta será apenas informação, curiosidade; o resultado será o acúmulo de conhecimento, e não a liberdade. Se seu foco é alcançar a realização/Paz/Libertade, então basta que você reconheça que você é a Consciência, e não nada que surge nela.
      Contudo, apenas para satisfazer a curiosidade, posso compartilhar a compreensão de que: não existe isso de “minha mente” ou “minha consciência”. Há apenas Consciência, e todo o resto é ilusão. Isso sendo dito, podemos dizer que sim, todas essas coisas são produzidas pela Consciência, na Consciência, e são Consciência. Já quanto ao propósito, isso é uma pergunta da mente, porque é a mente que pensa em termos de propósito. E, do ponto de vista da mente, não há resposta satisfatória. Que propósito pode Aquilo que em si é completo – ou além de completudo e incompletude – pode ter em manifestar?

      Quanto à segunda parte do seu post, na Consciência pode surgir tudo o que é fenômeno, mas ela não é limitada por nenhum deles e nem tem relação em especial com nenhum. O importante é seguir o conselho dos mestres (“Permaneça como Consciência ) mais do que pensar sobre ele. Seguindo-se esse conselho certamente você conhecerá a si mesmo como Consciência. Nessa Consciência o corpo-mente e inclusive a identificação com isso é percebida, e se você permanecer quem você é essas coisas vão perdendo o poder de causar qualquer ilusão, qualquer dano. Não mais importará se elas estão aí ou não.
      Mais importante que perguntar “como meu mundo surge” ou “como eu existo” é perguntar: “Quem sou eu que estou consciente do mundo e da minha existência”. O mundo e o seu “eu” só podem existir quando há Consciência; logo, ela é o fator essencial.

      Quanto às suas últimas perguntas, que acho as mais práticas, na verdade é a mente que nos faz acreditar que ela é imprescindível para viver neste mundo. Mas a verdade é que todas as funções podem ser desempenhadas, e muito bem desempenhadas, sem que você se considere aquele que age, aquele que as faz. A identificação da Consciência com o corpo-mente é completamente desnecessária, e a causa de toda a ilusão. Todas as suas atividades e interações podem continuar normalmente sem ela.
      Fatores como intenção, pensamento, decisão – pertencem à mente e ao intelecto, e vão continuar agindo por si só. Você não precisa se identificar com eles para que eles funcionem. Os sentidos e pensamentos operam quer você se considere o corpo-mente quer reconheça a sua realidade enquanto Consciência.
      Não é necessário que os pensamentos deixem de surgir para se estar no estado de Consciência. Você é este estado agora mesma, e isto é a única realidade. É apenas que a IDENTIFICAÇÃO com os objetos que surgem na Consciência cria a ilusão (e não o seu surgimento em si).
      Compreendendo isso, abandone essas idéias errôneas e todos esses medos que a mente produz, e foque-se na Consciência que você é.

      abraços,
      Niraj

  • Jésus

    Niraj

    obrigado!

  • Jésus

    Niraj

    Boa noite,

    Gostaria que vc comentasse um pouco sobre esse parágrafo citado por vc: “Você tem um desejo muito belo de não causar mais sofrimento a si mesmo e aos outros. Você diz que muitas vezes age em reação às circunstâncias, e que isso traz confusão e sofrimento. Isso é simplesmente a forma como o corpo-mente o qual conhecido por Jésus foi condicionado a agir. Mas você não é este condicionamento”
    Aconteceu novamente, criei sofrimento para mim e para as pessoas que amo…falando abertamente para vc, há anos venho lutando com o vício ( bebida alcoolica ). Esse corpo-mente do qual vc fala, é uma criação minha? para que eu possa causar sofrimento para mim mesmo e para os outros? Quando vc fala que ele é uma ilusão, ai penso como uma ilusão pode causar tanto sofrimento assim? A dor agora em mim é real, eu mal consigo escrever essas linhas…vc disse que o único caminho é “Pemanecer na Consciência ” mas esse permanecer sempre foi o meu problema, como quebrar esse condicionamento? como não identificar ? como estar na verdadeira comunhão…..

    Um abraço.

    • Caro Jésus,

      É verdade que os hábitos são fortes, mas a realidade é que você é mais forte que eles. Apenas você não está acostumado a exercer seu poder natural.
      Falando de uma maneira bem prática: quando vem um impulso dentro de você de beber (exemplo que você falou), você sempre tem um escolha de segui-lo (e aí você já sabe os resultados, e sabe que não vale a pena) ou outra de simplesmente observar esse impulso, e não se deixar levar. Isso não é tanto uma questão de força de vontade; é mais uma questão de clareza, determinação e atenção. Esteja firmemente determinado a simplesmente permanecer como o observador quando qualquer impulso dessa natureza surgir, e de não segui-lo. Com o tempo isso vai ficando forte e natural. As vezes que você acaba esquecendo e seguindo, você sente uma dor que parece real. Use isso como um motor para aumentar a sua determinação de não mais seguir esses impulsos.
      Basicamente este é o trabalho interior. Clareza sobre o que você é, sobre o resultado de cada escolha, e sobre o seu poder a cada momento de se identificar ou não.
      Do ponto de vista exterior, contudo – e levando em consideração que é um hábito forte – deixar de frequentar ambientes e a companhia de pessoas que alimentam esse impulso é uma grande ajuda. Sei que isso no início pode ser difícil, e representar a quebra de relações antigas, mas o resultado certamente vale a pena.
      A ilusão pode causar tanto sofrimento porque a ilusão e o sofrimento estão no mesmo nível de realidade ou irrealidade. Entende? É como um tsunami que aparece no filme, e tem o poder de destruir as casas daquele cidade no filme, e causar muito sofrimento para todos os personagens do filme. É isso que quero dizer com ilusão. Por outro lado, o tsunami sequer molha a tela. É isso que quero dizer por realidade. Sua realidade é a tela da Consciência, que não é afetada por nada que acontece no mundo, por nenhum sentimento ou experiência. Contemple assim e acostume-se a permanecer como a Consciência que você é.

  • Jésus

    niraj.

    Compreendo…o constante lembrar e sentir Quem Sou, vai fazer com que não ocorra mais as identificações com esses objetos,impulsos, pensamentos, desejos, formas e etc, que surgem no interior/exterior…abençoados são os que conseguem…agora fico em silêncio…chega…chega… Muito obrigado!

    Muita paz para todos nós.
    Um abraço

    • Sim, e esse poder você tem.
      Lembre-se do rosto de desgosto que os seus bem-amados tem quando sofrem, e lembre-se disso na próxima vez que o impulso surgir. Isso pode ajudar.

      Abraço,
      Niraj

  • Jésus

    Niraj,

    Esse impulso é mais forte do que a mente, a memória, e dos sofrimentos passados, é como uma aminésia, um véu que cai entre o momento presente e o passado, não é como queimar a mão no fogo e toda vez que vemos o fogo, sabemos que ele pode nos queimar.O que lembro, é que surge um pensamento e logo em seguida a ação, é muito rápido, gostaria mesmo de ser queimado no momento da ação, mas isso não acontece…Esses dias estou bem, estou em paz, observo constantemente o movimento da mente dos pensamentos sendo estimuados pelas circunstâncias externas, um som, um cheiro , uma imagem, um lugar.Com essa observação e com a prática de sentir que não sou nada desse movimento, até esse exato momento estou bem, vejo também muitos impulsos para pegar livros, filmes, procurar outras pessoas e etc. Isso parece que quer me distrair , mas onde estou está bem melhor, estou em paz, aqui agora ao inquirir: Quem está em paz? Quem sou eu? sinto um vazio.

  • Jésus,
    Isso que você falou é o efeito de tamas, obscuridade. Mas se você continuar na prática, a mente fica cada vez mais sátvica (pura, equilibrada, clara), e daí sempre haverá espaço entre um pensamento e uma reação.
    Por outro lado, você disse que se sente em paz ultimamente. Isso está bem. Mergulhe nessa paz; aproveite essa onde de satva para observar como funciona a mente e seus mecanismos. Isso diminui o poder dela.

  • frederico

    a autoinquirição leva ao estado conhecido como a fusão do indivíduo com o TODO?

    • Você pode dizer que sim. Ou melhor, a autoinquirição revela a irrealidade do ego, que é aquilo que parecia estar separado do TODO e viver num mundo fragmentado.

  • Mário

    Niraj
    Que bom encontrar este site; que bom encontrar alguém que está no «caminho» e alcançou realização, ou pelo menos viu qual era o caminho a seguir. Depois de muitas leituras e seguir várias doutrinas, também adoptei a autoinquirição com razoável sucesso. Verifico a imensa paz que existe na pura existência sem pensamentos, por um lado, e as ondas revoltosas que estes provocam, por outro. Mas entretanto, há algumas questões que não consigo responder e que gostaria de ouvir a sua opinião. São as seguintes:

    1º À noite, procuro permanecer na pura existência, sem pensamentos; mas assim não consigo adormecer e começo a ficar cansado, até que vêm os pensamentos e pouco depois, o sono. A minha questão é que se estivesse na pura existência, o corpo adormeceria, mas a consciência permaneceria desperta (como acontecia com Ramana); não sendo assim, estarei a fazer algo errado?

    2º Ou ainda não atingi a pura consciência?

    3º E os sonhos, pertencem à consciência? Ou são apenas testemunhados por ela? Mas se são apenas testemunhados por ela, que dizer dos sonhos premonitórios e de revelação que ocorrem tantas vezes e que os alquimistas consideram um portal para a «fonte»?

    4ºNão será que para além da consciência sem pensamentos, pura existência, ainda há uma outra mais subtil à qual não se tem acesso (ou eu ainda não tive)a que se referem os budistas com a experiência da «clara luz»,?

    5º Quando se diz que tudo é consciência, o que é que se quer dizer realmente? Tenho dificuldades em aceitar que o carro que vai agora a passar na rua também seja consciência…É percepcionado na consciência, sim, mas daí até ser consciência vai um passo que não consigo dar…

    6º Onde «fica» a vontade? é uma função da consciência ou do ego? E se é uma função da consciência como é que se pode criar, ou desenvolver, uma «boa» vontade, ie, aquela que sirva os propósitos da consciência (os esforços não seriam uma acção do ego?)Quando permaneço na simples existência parece não haver vontade, posso ficar «ali» bastante tempo até que o «ego» diga que se tem de fazer isto ou aquilo para mobilizar a acção. Dá a impressão que o ego é o verdadeiro condutor e dono da carruagem…

    Bem, e por aqui me fico. Se tiver paciência para me responder poderei depois expor mais dúvidas.

    Obrigado e Abraços
    Mário (Portugal)

  • Caro Mário,

    Fico feliz que este site seja útil para você.
    De certa forma não havia recebido notificação do seu comentário como pendente, então vi apenas agora…
    Vamos aos seus comentários:

    < 1 >
    Interessante, para mim parece que a tendência da mente, para a maioria das pessoas, é que quando tentam aquietar a mente ela simplesmente dorme…
    Talvez no seu caso signifique que a autoinquirição ainda seja uma coisa de muito esfoço. Me diga, normalmente quando você “medita” sente um sentimento de densidade da cabeça ou de calor interior, ou é mais um relaxar, um frescor?

    < 2 >
    A Pura Consciência não é algo que você atinge, mas algo que você é, e precisa apenas redescobrir. Aos poucos o “lembrar-se de quem somos” fica cada vez mais natural e sem esforço.

    < 3 >
    Os sonhos são conteúdo da mente e, como tal, são objetos testemunhados na Consciência, assim como todos os pensamentos, sentimentos, intuições, insights, etc. A Consciência é sempre apenas a testemunha, vazia.
    A capacidade de ver o futuro ou o passado, bem como o conhecimento do que se passa em outros lugares ou mundos no presente, são faculdades que a mente superior (buddhi, ou intelecto) podem desenvolver. Não são portais para a Realização, mas apenas “efeitos especiais” no mundo dos fenômenos e, em muitos casos, esses siddhis (poderes) representam até obstáculos.

    < 4 >
    Como eu entendo, a “clara luz” é justamente a Consciência, que ilumina tudo sem distorcer, em oposição ao ego, que distorce tudo ao “iluminar”, colorindo o mundo.
    Por outro lado, os mestres dizem que a Consciência EU SOU também é testemunhada, e isso que a testemunha, o espaço no qual ela existe e é percebida, seria a Pura Consciência (awareness).

    < 5 >
    Isso é algo difícil de ser explicado ou transmitido, mas o que percebemos à medida que vamos nos aprofundando é que é assim mesmo.
    Atrevo-me a fazer uso de uma metáfora: assim como no sonho tudo é “feito de” material onírico (tanto o sonhador quanto os objetos sonhados), igualmente neste mundo de vigília.
    Outra metáfora: em uma tela de cinema todo um mundo, toda uma história, é projetada. Contudo, não passa de luz e som – tanto os personagens quanto os acontecimentos e objetos.
    Além disso, a física contemporânea já explica que tudo no universo é feito de átomos, que nada mais são do que partículas de energia cirulando em volta de um centro de energia, sempre vibrando, e sempre aparecendo e desaparecendo. Cada átomo é 99% vazio, e o resto é luz, energia. Se pensarmos em “energia” como sendo a Consciência vibrando de uma maneira mais grosseira, o ensinamento pode ser elucidado. O carro que passa pela rua parece sólido e estável, mas nada mais é senão luz e vácuo.

    < 6 >
    A vontade é uma função ou elemento de buddhi, que é o intelecto ou “mente superior”.
    A maioria dos caminhos espirituais põe grande ênfase na educação da vontade, já que a vontade tem um certo poder de comandar o corpo-mente. E o que dirige a contade é o intelecto, o discernimento. Através do desenvolvimento do discernimento espiritual – que ocorre por meio da meditação, estudo dos textos, Satsangs, etc. – a vontade passa a ser exercida de uma maneira mais positiva.
    E é por isso que quando você permanece com a atenção apenas na Consciência, a vontade está imóvel ou inativa.
    Quanto ao ego, em geral a vontade está a seu serviço, embora não necessariamente precise ser assim. De qualquer forma, a Natureza (e não apenas o ego) nos impele a agir, de forma que a vontade é exercida, de uma forma ou de outra. Mas ela não precisa ser exercida para alimentar a construção de um “eu” e suas fantasias. Pode ser, no seu estado natural, uma faculdade bem mais neutral e impessoal.

    Fique à vontade para perguntar mais.

    OM,
    Niraj

  • marcio

    gostaria de saber como postar 1 comentario p/ 1 participante deste site? grato

    • Você acabou de postar. Agora seu email está autorizado e pode postar à vontade.

  • Mário

    Obrigado Niraj, os seus esclarecimentos foram muito importantes. De facto, não faço qualquer esforço na auto inquirição, mas a verdade é que estando «presente», não consigo adormecer…

    Tenho ainda algumas dúvidas sobre se aquilo que alguns pensadores chamam «essência» (como Gurdjieff e Almaas) é o mesmo que consciência, na perspectiva de Maharshi.

    Atrevo-me a dizer que não, porque estes autores parecem defender que a essência é perceptível, pode ser «sentida», ora se é perceptível, é porque não é a consciência, a qual não pode ser sentida, nem percebida. O que acha?

    Mas já o conceito de «consciência de si», muito utilizado por Gurdjieff, parece-me coincidente com a «consciência» referida por Ramana. Será?

    Obrigado (Mário Rebelo)

    • Mário,

      Não conheço muito a filosofia de Gurdjieff ou Almaas para poder te responder. Mas o que posso dizer é que o Ser, ou Pura Consciência, referido por Sri Ramana, é algo que não pode ser objetivamente percebido. Ele é o “Sujeito” por trás do sujeito. Ou o sujeito-sem-sujeito-nem-objeto.

      Abraços,
      Niraj

  • Gabriel

    Olá Niraj

    Que bom encontrar este site.
    Descobri sobre Advaita, não-dualidade a quase 3 anos. Já li o ‘I am That’ de Nisargadata, alguns livros de John Weeler, Eckhart Tole além dos videos de Mooji no youtube. É tudo muito inspirador para mim ao mesmo tempo que confuso.

    Já percebi que cada autor ou ser iluminado tem uma percepção diferente, as vezes mais abrangentes ou as vezes mais limitadoras. Não sei se conhece mas fiquei muito confuso com Tony Parsons, com a idéia de que não precisamos fazer nada.

    Fico perdido sem saber o que fazer, me inspira muito a idéia e sentimento do ‘Eu sou’. Tento manter no meu dia a dia, más percebo que dura poucos segundos e quando vejo já fui arrastado pelos meus pensamentos ou emoções, de repente aparece novamente de uma maneira bem sutil como um estado de Presença e não-eu más não consigo manter. Enfim, parece uma grande batalha.

    Sou um tipo muito ansioso, tenho procurado meditar por 30 minutos todos os dias na intenção de acalmar e aquietar a mente e tentar atingir ou ficar apenas neste estado do não-eu ou Eu sou. As vezes consigo alguns segundos, da qual ja fico muito feliz.

    Fico em dúvida pois nos ensinamentos Advaita não vi incentivo à pratica da meditação, más para mim parece bastante útil uma vez que consigo acalmar a mente e fica mais fácil sentir este estado de Presença mesmo depois da meditação.

    Gostaria muito de saber a sua opinião, uma vez que te achei uma pessoa sensata e com os pés no chão.
    Na verdade tenho muitas outras dúvidas da qual gostaria de estar compartilhando contigo, más não sei se me sinto à vontade pelo fato de serem postadas aqui, sinto um pouco envergonhando, apesar de saber que poderia ajudar outras pessoas.

    Obrigado, e aguardo sua resposta (não sei se por aqui ou meu e-mail).

    Abraços,
    Gabriel

    • Caro Gabriel,

      No início eu também ficava confuso, mas hoje vejo que, em geral, os mestres Advaita tem a mesma visão e ensinamento, pelo menos aqueles que sinto serem iluminados. Já entre os “professores de Satsang”, as coisas mudam bastante, e às vezes é como uma selva de conceitos e técnicas.
      Quanto ao “nada fazer”, é fato que nós já somos o Ser, e que nada é preciso fazer ou saber para sermos quem sou. Contudo, na realidade relativa vivemos como se fôssemos uma pessoa; ou seja, a Consciência está presa na noção de ser o corpo-mente. E todos os nosso pensamentos, sentimentos, visão de mundo, hábitos, etc., estão baseados nessa ilusão primordial. Assim, a prática é necessária para remover essa camada de ilusão. E essa prática é a autoinquirição, o focar-se no “Eu Sou”.
      No início é realmente como uma batalha: a intenção espiritual de manter a mente no EU SOU x os hábitos de vidas e vidas de focar a atenção nos fenômenos. Com o tempo e persistência, o primeiro vai ficar mais forte. Para isso, o fato que tu praticas diariamente é muito bom. A leitura dos ensinamentos e assistir Satsangs também ajuda muito.
      Muitos ensinamentos do Advaita focam mais na compreensão da realidade, no soltar das ilusões, do que na prática em si. Mas você encontra nos ensinamentos de Sri Ramana e de Nisargadatta Maharaj bastante incentivo à prática. Bhagavan dizia que na presença de um Guru o samadhi é experimentado, mas que devido às vasanas ele é perdido, e que é necessário prática para estar estabelecido nesse estado.
      Veja os textos:
      http://advaita.com.br/ramana-maharshi/quem-sou-eu/
      http://advaita.com.br/wp-admin/edit-comments.php?comment_status=approved
      http://advaita.com.br/2011/02/20/permaneca-com-seu-ser/

      Sinta-se à vontade para perguntar. Se preferir que não seja publicado aqui, pode também me mandar um email: omniraj@gmail.com

      OM,
      niraj

  • frederico

    Pelo que eu já escutei, Gurdjieff é o mestre com maior quantidade de discípulos com problemas neurológicos.

  • Bruna

    Olá, esse sábio, Ramana Maharshi, já comentou algo sobre o homossexualismo? Ele aprovava ou desaprovava? Qual a opinião do criador desse site sobre o referido tema? ALgum outro mestre já comentou sobre esse tema? O que foi que ele disse? brigadd

    • Cara Bruna,

      Nunca li nenhum ensinamento do Ramana (ou do Papaji ou Nisargadatta) sobre o tema, nem de outros mestres advaita. Contudo, a mentalidade desses mestres não é de julgamento ou criticismo, então acho difícil que qualquer um deles “desaprovasse” ou “aprovasse”.
      Quanto a minha opinião pessoal, no momento não me vem nada em especial para comentar a respeito. Mas certamente não sou preconceituoso quanto a isso.

  • Frederico

    Ramana permitia o consumo de ovo? Será que, assim como o leite e derivados, o consumo de ovos não atrapalham na “realização” do Ser?

    • Sri Ramana não era um mestre do tipo de proibir ou mandar. Contudo, ele recomendava o vegetarianismo sempre que questionado a respeito, dizendo que ajuda a manter uma mente sattvica (pura, calma, equilibrada), o que é a melhor ajuda para a Realização. Certa vez quando questionado especificamente sobre ovos, ele mencionou que ovos também tem a vida em potencial, então seria melhor não comer.

  • Thiago Serpa

    Olá Niraj, alguma chance de o Mooji vir a Porto Alegre novamente? Namaste… Thiago!

    • Thiago, chance sempre tem, mas no momento não há nenhum plano. O Mooji está agora mais focado em construir o seu Centro de Satsangs em uma terra que comprou em Portugal.

  • João Rocha

    Bruna, o Eu Sou não tem atributos, portanto todo o resto tais como a raiva,
    a bondade, o orgulho, os pensamentos, a erudição, o homosexualismo e todo o resto bom ou ruin, tudo, não importam.
    Se eu me pergunto, no instante em que esse desejo aparece, “para quem ele aparece?” “Quem em mim sente atração sexual?” Você verá que todas essas manifestações são vista por “algo que
    não sei dizer o que é”, no entanto “a
    observação aconteceu”. Essa é a prática
    no dia a dia. Se um pensamento quiser
    dissertar sobre o assunto, nos perguntamos para quem ele ocorre?, quem está pensando?. Se eu tiver fome, “quem em mim tem fome”?, o que é a fome? Se eu caminhar, “quem está dando a ordem para
    que os passos sejam executados. É um trabalho com coisas simples, do dia
    a dia. Não se deixe seduzir por uma resposta mental, e se ela aparecer também
    está sujeita a inquirição “para quem ela apareçe?”, “quem em mim pensa?” . Com o tempo aprendemos a reconhecer “o que não sou” sem reagir, e um silêncio aos poucos aparecerá. O que é esperado daqueles que buscam seriamente é que tentemos “lembrar de praticar sempre”, em qualquer lugar, sem filosofia.

  • Celshankaracharia

    Se seus pensamentos forem água descendo de uma cachoeira… Onde está a cachoeira ??
    Quem pensa é o homem do mundo, o homem de Deus vive no completo não pensar…
    O silencio é a verdadeira PAZ !!

    OM PAZ PAZ PAZ

  • Celshankaracharia

    O Atman é o não pensar…
    Só Nele está a Bem-Aventurança…
    O pensar é um labirinto que prende o Atman na ilusão de que Ele é apenas o corpo físico..
    Vamos gente, Realizem o Atman Já!!!
    Ele está tão perto de vocês,ao lado de seus pensamentos, tão perto que cegam à todos!!!
    Ele acorda com você, vive o dia todo com você, vai dormir com você e mesmo assim não O conheces ???
    Está vida é realmente uma Grande Aventura!!

    OM PAZ PAZ PAZ

  • Michael

    Olá Bruna, aqui neste site tem um belo pensamento sobre homossexualidade vale a pena conferir http://www.jeshua.net/por/qa.htm

  • Samuel Pelegrini

    Querida Bruna,

    Sexualidade, seja ela qual for, é produto do ego, da mente, portanto, seja hétero ou bi ou homossexualidade etc, isso não faz diferença alguma. Aquele conhecimento acumulado que é a pessoa em si se expressa conforme foi formado ao longo do tempo, portanto, seja simplesmente você, para ser você mesma você não precisa fazer nada, essa é a realização não-dual. Sexualidade cada um tem a sua própria e não há nada errado nisso. O corpo está interessado apenas em sobreviver e reproduzir, portanto, a sexualidade nada tem a ver com esse fator.

    Beijos

  • Raphael Santos

    Boa tarde,
    Meu nome é Raphael.
    A algum tempo venho praticando a meditação e só consegui evoluir quando reconheci a mente, os pensamentos e o intelecto.
    É incrível!
    Estou no inicio de uma jornada e tenho as minhas dúvidas como por exemplo:
    Se o mundo como conhecemos é formado pelos pensamentos como não ficarmos felizes com os nossos avanços tecnológicos? Esses avanços partiram de um pensamento.
    O estado de não mente tem qual objetivo?
    É abrir mão dos avanços materialistas, do corpo?
    Ou o estado de não mente tem o potencial de nos levar a avanços ainda maiores?

    Agradeço a atenção.

    Raphael Santos.

    • Boa tarde Raphael!

      Não há nada de errado com os avanços tecnlógicos nem na facilidade que eles nos dão. Não é necessário “abrir mão” dos avanços materiais para mergulhar no seu Ser e descobrir quem você é. Apenas é necessário abandonar a identificação e o apego com qualquer coisa, seja exterior ou interior.
      O “estado de não-mente” é nosso verdadeiro estado, é nosso Ser. A mente surge depois, “em cima”, e é um fenômeno observável dentro de nós.
      Com a meditação a mente tende a ficar mais criativa e clara e, nesse sentido, pode trazer mais “avanços” em outras áreas. Mas o seu propósito supremo não é este, mas sim a Iluminação.

      om,
      niraj

  • Fredercio Carlos

    Estava lendo alguns comentários na internet e percebi que Ramana nem Nisagardatha se filiam a doutrina reencarnacionista. Se eles não ensinam a reencarnação, o que eles ensinam? Achei muito complicado…

    • Não sei se você pode dizer que eles se filiam ou não se filiam a qualquer doutrina. Mas o que é certo é que eles apontam para a realidade do nosso SER, além da alma que reencarna. E essa realidade não é individual e, portanto, não reencarna e nunca encarnou, nem mesmo agora.

  • Fredercio Carlos

    Eles dizem que a alma reencarna? Qual realidade não é individual? Não entendi direito esse ponto. É coletiva? Se pudesse tecer mais alguns comentários explicativos seria ótimo, pois deu um nó aqui na minha mente.

  • Sugiro que você leia alguns dos textos em português que tem nesse site, porque eles exploram bem a matéria.
    Mas, tentando sintetizar: quando você busca interiormente “quem sou eu?” e descarta tudo o que é um fenômeno (diga-se, que tem nome/forma, que é perceptível), você chega à realidade do seu Ser, e daí percebe que este Ser não é individual, ele não tem forma nem limites. Logo, ele não pode “encarnar”; apenas aparenta fazê-lo.
    Dizer que é “coletivo” é melhor que dizer “individual”, mas ainda não é 100%. Este Ser não é individual nem coletivo, porque ele É mesmo antes da criação ser. Ele é o Ser de toda a criação, e mesmo do Criador (Deus), mas também existe quando nada disso existe.

  • Fredercio Carlos

    Nos satsangs atuais qual o tempo recomendado ideal de prática da autoinquirição? Falando de maneira totalmente prática, qual a sua sugestão prática e técnica para a autoinquirição, sei lá, algo com o que vc tenha perdido tempo e depois descobriu que era melhor não fazer. Estou com difculdades de fazer a autoinquirição na parte prática e técnica, pois pergunto a mim mesmo quem sou eu e fico esperando uma resposta, mas a impressão que tenho é de que não está acontecendo nada.

  • Frederico,

    No início seria ideal separar uns 10 ou 20 minutos por dia para esta prática, e com o tempot você pode aumentar. Também deves tentar trazer essa prática, aos poucos, para as outras atividades diárias.
    A autoinquirição não é uma pergunta em busca de uma resposta, nem um esperar. Escrevi um artigo expondo mais detalhadamente a prática. Veja aqui: http://advaita.com.br/ramana-maharshi/quem-sou-eu/
    Se tiver dúvidas, volte a entrar em contato.

  • Fredercio Carlos

    Sim, eu já tinha lido esse artigo. Mas na hora de sentar e começar… aí tudo fica difícil. No quê eu me concentro? O que fazer com a minha respiração? E a tal do coração do lado direito do peito? Parece que é uma forma muito abstrata de meditar, acho que pra mim o mais fácil seria concentrar entre as sombrancelhas ou algo assim. Acho que está faltando algo que eu ainda não entendi, algo prático.

  • Você pode começar se concentrando na respiração – isso significa colocar toda a sua atenção no movimento da respiração. Quando você está inspirando, está completamente consciente da sensação do movimento da respiração no seu nariz. O mesmo quando está expirando.
    Com o tempo, praticando diariamente, a sua mente vai ficar bem calma, e a sua atenção vai ficar mais afiada.
    Nesse ponto você pode começar a direcionar a atenção para aquele que está consciente do movimento da respiração – ou seja, você enquanto consciência. Isso significa que sua atenção passa a se focar no sujeito (consciência) ao invés do que no objeto (respiração).

    É muito natural, que no início isso pareça muito abstrato, é como explorar um mundo mais sutil, desconhecido. Mas com o tempo você vai se sentir mais confortável fazendo isso. Apenas continue, e com o tempo tudo ficará mais claro. Não há nenhum “segredo” além disso.

    A autoinquirição não é se concentrar no lado direito do peito, mas sim concentrar a atenção na consciência.

  • João Rocha

    Se o Niraj me permite deixo um texto do livro “Ramana Maharshi e o Caminho do Autoconhecimento” que é :

    “Não fixe sua atenção em todas estas coisas mutáveis da vida, morte e fenômenos. Não pense até mesmo no ato de vê-las ou percebê-las, mas apenas Naquilo que Vê todas essas coisas e que é responsável por todas elas.

    Isto vai parecer quase impossível no começo, mas gradativamente o resultado será sentido.

    É preciso anos de prática firme e diária, e isto é como um mestre é feito.

    Dê um quarto de hora por dia para essa prática. Tente manter a mente inabalavelmente fixada Naquilo que Vê. Ele está dentro de você.

    Não espere descobrir que ‘Isso’ é algo definido em que a mente possa se fixar facilmente; não será assim.

    Embora se leva anos para descobrir que “Aquilo”, o resultado desta concentração será vista em quatro ou de cinco meses – em todos os tipos de clarividência inconsciente, em paz de espírito, no poder de lidar com problemas, no poder todo, mas sempre poder “inconsciente”.

    Eu lhe dou esse ensinamento com as mesmas palavras que o Mestre usa para ensinar os Chelas.

    De agora em diante, deixe que toda sua atenção, na meditação, não seja no ato de ver, nem sobre o que você vê, mas inamovívelmente Naquilo que Vê.

  • João Rocha

    Niraj, gostaria de te mandar um texto, como
    faço?
    At.
    João Rocha

  • Oi João!

    É só me mandar um email: omniraj@gmail.com

  • Olá a todos! Conheço este site mas fazia tempo que não entrava nele. Gostei muito do texto, e mais ainda dos comentários.

    Comecei a prática da meditação em meados de 2010, mas depois parei. Ela funciona.

    E, olhando os comentários aqui fiquei muito comovido com uma resposta aí acima “Vamos gente, realizem o Atman”.

    Eu acredito que é possível. É que há muitos sites por aí falando só de teoria, teoria, mas aqui finalmente encontrei um espaço para a PRÁTICA.

    Hoje mesmo volto à prática da meditação.

    Obrigado ao Niraj e a todos que, com seus comentários deram importantes contribuições a mim e a todos os outros.

    Abçs,

  • thiago

    Oi, Ramana ou alguns de seus discípulos iluminados disse alguma coisa sobre como lidar com questões práticas como compromissos de trabalho, pagar contas, como lidar com isso sem pensar? A mente é necessária pra fazer essas coisas, como fazer isso sem a mente? Para falar ou explicar sobre a não existência da mente é necessário o uso de idéais e da mente… Gratidão!

    • Oi Thiago,

      Usar a mente é necessário. Não é o uso da mente para assuntos práticos que causa ilusão – esse tipo de mente o sábio também tem. É a mente que fica viajando em desejos, emoções, lembranças, etc. que é o problema. Ou seja, o problema é a mente a serviço do ego, da identidade.

      • thiago

        Oi então a morte da mente à qual Ramana se refere seria a morte da “mente inferior” associada ao ego. Porque mesmo um mestre precisa usar conceitos e pensamentos para falar do que É. Grato pela explicação.

  • Oi Thiago,

    Pode-se dizer que sim. É a morte de um “modus operandi” da mente – o do ego. Segundo Ramana, o iluminado ainda tem mente, mas ela é puro sattva (harmonia, pureza).
    Tudo continua normal – montanhas são montanhas e rios são rios. Mas algo não está mais lá. Um “nó” foi desatado. E não há mais sofrimento ou conflito nenhum.

    • thiago

      Segundo Ramana, esse estado sem conflitos uma vez atingido dura para sempre ou pode se entrar e voltar ao estado identificado com o ego mente?
      Isso teria alguma coisa a ver com o Samadhi ou o Samadhi seria um outro estágio da Consciência, segundo Ramana onde tudo é pura Luz? Obrigado pelas respostas

  • Thiago:

    Sim.
    O estágio que me referi é o que Sri Ramana e vários outros chamam de Samadhi.

  • thiago

    Oi Niraj, talvez você conhecendo mais os ensinamentos do Ramana possa me ajudar.
    Quando fazemos a autoinquirição temos que eliminar os pensamentos associados ao eu, certo? Como ter só o pensamento-sentimento “Eu Sou” se tudo a nossa volta é pensamento, e para qualquer ação que devamos empregar é necessário pensar? Pensamentos como: Eu tenho que ir no banco. Ou eu tenho que tomar banho, ou eu tenho que trabalhar. Como realizar essas tarefas sem pensar? Afinal quem tem que realizar essas coisas não é o Eu Real ou é?

    No momento em que me sento para meditar daí da pra abandonar os pensamentos ligados ao eu mas em atividade, não sei como proceder. O que os Mestres diziam sobre isso?
    Não pense em nada associado ao eu e veja no que dá?
    Grato.

  • thiago

    Se seguirmos totalmente o que fala esse texto la de cima, acho que seria impossível levar uma vida no mundo. Como esquecer tudo e ainda resolver problemas práticos do dia a dia? Obrigado mais uma vez!

  • Entendo o teu ponto. É uma pergunta que eu mesmo me fiz por muito tempo. Pelo menos nos textos do Ramana, não se encontra muita luz sobre isso, pelo menos não diretamente. Mas no Mooji e Nisargadatta tem mais.

    Volto ao meu ponto inicial na nossa conversa: esses pensamentos práticos, cotidianos, em geral não carregam nenhuma vasana consigo. Se carregarem, naquele momento questione interiormente, fazendo a autoinquirção. Mas se o tipo de pensamento é só “será que eu cozinho arroz ou pasta para o almoço hoje”, não se preocupe com isso. Você pode até perguntar: “quem vai comer? Quem sou eu que percebe este pensamento”. Isso é bom. Mas não lhe impede de fazer a ação.

    Respondi a tua pergunta?

    • thiago

      Acho que o objetivo da pergunta é focar no Ser interno e nem tanto a resposta certo? Porque se tentamos responder com a mente a impressão que dá é que qualquer ação é originada pelo ego, uma vez que o Ser não precisa de nada, certo? Eu sei que o Ser também age dentro da ilusão uma vez que os Mestres falam e fazem coisas, talvez com mais prática consigamos discernir quem está agindo…ou até quem está pensando…

      Essa questão anterior é um pouco difícil de responder, se olharmos o diálogo acima que diz:
      Vasishta: Elimine os pensamentos de todos os tipos – de coisas apreciadas, não apreciadas, ou outras. Como a madeira, ou a pedra, permaneça livre de pensamentos.

      Rama: Devo eu esquecer tudo, completamente?

      Vasishta: Exatamente, esqueça tudo completamente e permaneça como a madeira ou a pedra.

      Rama: O resultado será a estagnação, como a das pedras ou da madeira.

      Vasishta: Não é assim. Tudo isso é apenas ilusão. Esquecendo a ilusão, você estará livre dela. Embora pareça estar estagnado, você será a própria Beatitude. O seu intelecto ficará inteiramente claro e aguçado. Sem se embaraçar na vida mundana, mas parecendo ativo aos outros, permaneça como a própria Beatitude de Brahman e seja feliz. Diferentemente da cor azul do céu, não permita que a ilusão do mundo renasça no puro Espaço do Ser-Consciência. Esquecer essa ilusão é o único modo de matar a mente e permanecer como Bem-aventurança. Mesmo que Shiva, Vishnu ou o Próprio Brahman sejam seus mestres, a realização não é possível sem este meio. Sem esquecer tudo é impossível estabelecer-se enquanto Ser. Portanto, esqueça tudo, inteiramente.

      Fica difícil de compreender como levar a vida e fazer isso ao mesmo tempo. Mas vamos tentando, rsrs.
      Outra questão que tem me aparecido, o que os mestres advaitas dizem em relação aos sentimentos? Eles parecem só falar de como lhe dar com pensamentos mas e os sentimentos que muitas vezes surgem sem explicação racional? Por mais que eles estejam relacionados com pensamentos não conseguimos detecta-los. Eles também devem ser criações da mente mas são mais obscuros… Grato pela ajuda!

  • Oi Thiago,

    Durante os momentos dedicados à prática da meditação sentado, dá para fazer isso 100%. Já durante o dia-a-dia, o sábio “Sem se embaraçar na vida mundana, mas parecendo ativo aos outros, permaneça como a própria Beatitude de Brahman e seja feliz”. Ou seja, o sábio cumpre as atividades cotidianas comuns às suas circunstâncias humanas, com o auxílio da mente também. A mente funciona de maneira objectiva, impessoal, mais clara. É quase um “pensar sem pensar”.
    Este é o ideal, que é vivido com o tempo e a prática.

    Todo sentimento e emoção é secundário ao pensamento – tem sempre um pensamento que surge antes, embora normalmente não seja detectado. Com o tempo e a prática, a mente vai ficando mais aguçada e passamos a sempre perceber a semente-pensamento de cada sentimento. Antes disso, parece que eles “surgem do nada” e que são fenômenos diferentes dos pensamentos, e mais poderosos. Mas na verdade eles são apenas árvores que cresceram com a semente de algum pensamento. Por trás de toda a sua “presença” tem sempre um pensamento, e nós temos o poder de identificar isso e questionar ou abandonar esse pensamento raiz. Daí a árvore caí. Isso é o domínio da mente.

    • thiago

      Obrigado, mas é o fato de que eles dizem para esquecermos todos os pensamentos?
      Talvez seja necessário um período de meses, talvez anos, em que não se pensa em nada para se chegar a fonte estando isolado de tudo, não?
      Grato.

  • Sim, abandonar internamente o apego a qualquer pensamento. Os pensamentos podem surgir em um momento, mas esqueça eles no momento seguinte.
    Certa vez perguntaram ao Bhagavan: “É difícil abandonar a raiva, o desejo, o orgulho, etc.”. Ao que Bhagavan respondeu: “A única coisa que você precisa abandonar são pensamentos.”

    Sobre a prática e isolamento, na minha experiência períodos diários de isolamento (externo e interno) são indispensáveis. Digamos, de 30 minutos a 2 horas por dia, todo o dia. Além disso, certos períodos por ano em que ficamos focados apenas na prática o dia todo, como um retiro de uma semana por ano, são acréscimos excelentes.

    Estabelecido esses “espaços”, acredito que estar em contato com as pessoas e a sociedade é mais útil à busca do que viver isolado em uma montanha. Esses contatos com o mundo e as pessoas são excelentes oportunidades para nós vermos (e “enfrentarmos”) as vasanas que ainda existem em nós.

    • thiago

      Te fiz um convite pelo face, para podermos conversar mais se não for incomodo pra vc. abs!